domingo, fevereiro 15, 2009
little pop
convite - invitazione
in questo giorno vi invito per qualcosa che si era dispersa tra qualche cassetto.
http://personagem-invisivel.blogspot.com/
*
domingo, fevereiro 01, 2009
aos amigos que vivem perto do arco-íris
sonho colorido de um pintor
sinhô Tom Zé
Meu sol eu pintei de verde
que serve pra enxugar lágrimas
se um dia precisar.
A dor e a tristeza
fiz virar felicidade
aproveitei a tinta
e pintei sinceridade.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
sexta-feira, dezembro 19, 2008
estranheza
já fui
sob o olhar de quem via assim as coisas. nem sei onde pus aquelas calças e saias e coisas largas, sei do colar e não o uso. não sei onde é que me arrumei, mas deve ter sido a primeira vez. como não costumo ser organizada, não sei onde fui parar. por enquanto estou pelo centro-sul no país mais ocidental da europa, diz a bússula. naquele então estava no centro-norte do país bota. e era uma lomo fish eye, e eu levei um pin da embaixada lomográfica do bairro alto. as coisas pareciam todas mais agressivas e vivas. eu escrevia menos e vivia mais. agora vivo menos mas também não escrevo muito. venha estalo no meio da cara.
não sei o que fiz ao que era de mim. se calhar vendi e tapei com boas-figuras. tenho saudades de andar a chorar e a dançar mais no meio da rua, de ter comentários mais desagradáveis que o suportável e de sentir a consciência eminentemente mais tranquila porque mais exposta.
deve ter sido isso, vesti-me. há quem diga que cresci
sábado, novembro 01, 2008
existência pendular
truque de nunca pertencer. no caminho, destruição desconstruída. pedaços. ervas mortas e coisas verdes e amarelas. não pertencer aqui ou ali, continuar caminho. enxugar a humidade, vestir e despir lã, olhar nos olhos, continuar caminho. não ser isto nem aquilo, ver o cavalo estático em pasto, não tentar acelerar o tempo ou espaço, romper apatias, continuar caminho.
ultrapassar o transcendente. ser pendular. domínios de existência.
tenho o âmago susceptível. já posso escrever.
segunda-feira, outubro 13, 2008
sistema digestivo
eu já engoli sofregamente o coração, a escada, o mundo, a viagem, a ilha, o eclipse, as rosas com o cavalo e, sobretudo, a Zoe e o Anjo... que delícia, obrigada
disse eu
ainda bem que pude contribuir para uma refeição tão poética
disseste tu
desta vez engoli o livro da dança, mastigo a reza na era da técnica e tento saborear mais devagar a perna esquerda de paris. tinha de o conhecer melhor
disse eu
e com que velocidade o mastigas... eu estou na fase de por vezes fazer dieta dele
disseste tu
certos livros devem ser degustados, outros engolidos, e alguns pouco mastigados e digeridos
disse ele
já a fazer leituras-encontros :)
respondeste
domingo, outubro 12, 2008
urgência
Amigo, perdi o caminho. Eco: O caminho prossegue.
Há outro caminho? Eco: O caminho é só um.
Tenho de reconstituir o trilho. Eco: Está perdido e desapareceu.
Para trás, tenho de caminhar para trás! Eco: Nenhum vai lá ter, nenhum.
Então farei daqui o meu lugar, Eco: (A estrada continua),
Permanecerei imóvel e fixarei o meu rosto, Eco: (A estrada avança),
Ficarei aqui, ficarei para sempre. Eco: Nenhum se fica por aqui, nenhum.
Não consigo encontrar o caminho. Eco: O caminho prossegue.
Oh, os lugares por que passei! Eco: Essa viagem acabou.
E o que virá por fim? Eco: A estrada prossegue.
Edwin Muir (1887-1959, Reino Unido)
trad. Cecília Rego Pinheiro, in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim
segunda-feira, setembro 22, 2008
cedo (do verbo ceder)
que grande... para mais, ver o cd "Canção ao lado" de Deolinda.
se for assim, que haja fado
(faltam nesta montagem algumas das músicas mais bonitas. é procurar...)
sexta-feira, setembro 12, 2008
sexta-feira, setembro 05, 2008
palavras de agosto, palavra de verão
tempos parados em estações. tempos que se movem sem destino preciso, invenção de palavras. tempos de morte aventureira para se renascer. tempos de vida. tempos de necessidade. natureza de tempos amáveis e agrestes. conchas repletas de tempos, sons e espaços. tempos e melodia e de melancolia.
tempos e tempos e tempos.
partida e chegadas. nunca somos um só, por mais que sejam as palavras atrofiadas ou ditas. cruzamentos incansáveis de surpresa, beleza e beatitude de paisagens que nos ignoram e superam. que bela ignorança beata. que beatitude mais despercebida. carris incólumes, quentes, portadores. belos viajantes, infindos sonhos, vontade de partir e de ficar. medo de atravessar o que se enfrenta. medo de partir e de perder. confiança no invisível que é mais objecto que o próprio corpo. dança e acrobatas de aromas e outros sentidos. dança, que o corpo não pode parar. colares ternurentos, memória e percurso. andar em frente, não às arrecuas. encher a vida - ela é nossa. vivê-la soberanamente em cada rua por decalcar. viver sem mágoa, inventar coragem e criar caminho. avançar, deslumbrar, (re)partir, enfrentar, caminhar, caminhar, caminhar.
sigo as sombras e os reflexos, depois espero. no tempo de espera, invento-me. dou sentido à ocorrência. brotam termos que vão definindo cada acção, e o outro vê-me e reflecte. reflectindo, sigo em frente e volto a parar. procuro a direcção do meu andar. paragem necessária para a invenção do novo tempo. tempo de espera, tempo de invenção, tempo de mim mesma. sou o tempo que percorro.
segunda-feira, agosto 25, 2008
timbre
.
.
.
não, acho que estás te fazendo de tonta
te dei meus olhos p'ra tomares conta
agora conta como hei-de partir
(dizem Chico Buarque, Tom Jobim e Telma Costa em "Eu te amo")
quinta-feira, julho 10, 2008
morre uma borbulha e nasce outra do outro lado

até amanhã*
terça-feira, julho 01, 2008
avós
I.
O que enche o inverno frio são, sem dúvida, os teus olhos.
É frio de casas incólumes,
de ventos que partem paredes
e afastam palavras.
Sombrio como a noite que se põe sem lua,
descrente nos restantes astros
e de fracassos somados ao abandono das ruas.
Mas com os teus olhos
crias o mundo em que me apaixono.
Nas tuas pupilas descanso,
meu colo meigo,
e na íris desperta
acordo cada sentido meu.
Fitas o mundo e brilhas,
no reflexo dos meus olhos,
para toda a pureza de um novo dia.
E eu, de mãos vazias,
espero o reflexo do teu olhar
no meu
para poder tocar a vida que,
sem ti,
não existiria.
II.
Inventam-se, a cada dia, as pessoas que se amam.
Ainda que o sol não seja o mesmo
nem o mar
nem as andorinhas
que, uma vez por ano, procuram aquela janela.
Ainda que tudo mude
o amor não pode ser mudo
e reinventa quem se ama
em cada palavra pensada.
E, quando a palavra não surge,
inventa ainda o silêncio
(um silêncio mais doce
que uma palavra em vão,
o silêncio do gesto
e do abraço descoberto).
Sai-se do aperto,
da solidão,
e a pessoa mais a pessoa
inventam uma nova escala.
É assim que,
quando o amor fala,
se descobre a imensidão.
sexta-feira, junho 27, 2008
aos meninos grandes
.
.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.
(disse Eugénio de Andrade em Não quero, não)
um beijo enorme a estes grandes *
segunda-feira, junho 09, 2008
poesia do prosaico
I.
É íntimo, o mundo em que te sento. Tão íntimo quanto o meu corpo nu. Vestes-me algumas linhas e empurras para ela o meu pescoço. Como se o cabelo não existisse. E ela, molenga, aceita-me e recua. Estancam os meus olhos nos acumuladores de palavras. Palavras limpas e palavras sujas, presumo. Todas juntas, ignorando o meu sono.
Sento a toalha na cama, ela veste um mínimo de subtileza e conduz-me à almofada. Frente à cama, arquivos. Palavra de sono.
II.
Esbranquiçada e torta por todo. Quase-rebola e vê o mundo quase-morto. Só precisa de água e luz e de perder o esquecimento. Criar memória e colá-la às coisas. Para haver coisas com memória e menos mortas. Depois, quando rebola torta, descobre a vida.
Estanque, a bola de trapos. Ignora a cola que aponta a planta amurchada. Falta-lhe água. Falta-nos perder o esquecimento. Nunca me lembro.
.
.
.
terça-feira, junho 03, 2008
sexta-feira, maio 02, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
ainda espero, que o tempo faz-se lento
Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
sábado, abril 12, 2008
la mort pour les rêves
Des divans profonds comme des tombeaux,
Et d'étranges fleurs sur des étagères,
Ecloses pour nous sous des cieux plus beaux.
Usant à l'envi leurs chaleurs dernières,
Nos deux coeurs seront deux vastes flambeaux,
Qui réfléchiront leurs doubles lumières
Dans nos deux esprits, ces miroirs jumeaux.
Un soir fait de rose et de bleu mystique,
Nous échangerons un éclair unique,
Comme un long sanglot, tout chargé d'adieux ;
Et plus tard un Ange, entr'ouvrant les portes,
Viendra ranimer, fidèle et joyeux,
Les miroirs ternis et les flammes mortes.
aspetto il sogno, credo che possa esistere... alla fin fine. a volte si deve sparire per poi rinascere.
abbiamo diritto a non essere morti, diceva I. (5 anni). aveva ragione. voglio imparare dacappo come si vive e come si sogna *
quarta-feira, abril 02, 2008
dia deles
Podes mostrar o livro a quem quiseres, isto é, a pessoas com olhos doces e que sejam amigáveis, mas se vem um cavalo do inferno... Então fecha o livro ilustrado do padrinho.
sexta-feira, março 21, 2008
metáfora de equinócio
p aredes rasgadas
a brem caminho ao sol.
p oentes ou nórdicas ventanias
o uvem cada semente
i nsensata
l avrando melancolias novas,
a rrancadas ao negrume da mata.
d oem-se nascentes
a mores...
p ousam,
r amo após raiz,
i nsectos e aves triunfantes.
m oem a tristeza,
a nunciam a natureza petiz
v era crua manifestante.
e ra uma vez,
r aptada Perséfone ou estação se escolha,
a primavera da papoila.
sábado, fevereiro 16, 2008
solidão, diz armindo rodrigues
Na devoradora agonia
desta aventura de estar só,
nuvem que passas,
inutilmente procuro
o convívio da tua sombra.
Calam-se até na memória
o vento e as fontes.
As estradas não conduzem
de parte nenhuma para nenhuma parte.
Parou o sol.
Esvaziou-se o espaço.
Só tu,
subterraneamente,
em mim esvoaças, esperança,
minha ave de entranhas.
giorno di memoria vietata. anche di impassibile presente. maledetta speranza, mi uccide e non mi fa far nula.
vou embora, que amanhã este não será o meu chão. desaparece, por tacos novos. só tenho fotografias e letras, mas juntaram-se de tal maneira que não me passa a tosse.
parece que engoli o pó todo que cá tenho arquivado.
terça-feira, fevereiro 05, 2008
domingo, fevereiro 03, 2008
someone might wait
sábado, fevereiro 02, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
hipotetical 3rd dimension
quarta-feira, janeiro 23, 2008
ternurenhice
.
.
pausa (de semínima)
.
e antes de despedir, um momento de ternura para concretizar um dos princípios proposto no grupo de crianças: nunca se recusa um abraço.
vem logo Sérgio Godinho à cabeça
são dois braços
são dois braços
servem p'ra dar um abraço
assim como quatro braços
servem p'ra dar dois abraços
e assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
para os abraços
terça-feira, janeiro 15, 2008
a duas senhoras
uma nasceu no meu dia de anos, ainda que quase 100 anos antes, e escreveu
Nenhum olhar, fosse de um ser humano, de uma fera enjaulada ou de um animal de estimação, havia contemplado Mrs. Lanier quando ela não estava melancólica. Ela dedicava-se à melancolia, como os artistas menores às palavras e à tinta e ao mármore.(no Coração de Manteiga, um dos seus contos)
quinta-feira, janeiro 03, 2008
começo o ano com um adeus
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
*
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
segunda-feira, dezembro 31, 2007
tragicomédia pessoal
quinta-feira, dezembro 27, 2007
malinconia
barthes esqueceu-se deste termo. não é só passado, é presente sem resposta e falta de ar para o futuro em que não se acredita. passado sem gavetas fechadas, presente sem portas abertas. tempo em que toda/os pseudo-sorriem e quem resta não consegue responder a nenhuma expectativa. é preciso descentrar... é preciso dar atenção e não fugir com medo da consequência. é preciso viver de vez em quando e esconder o medo. é preciso viver o que é preciso sem o tomar como obrigação. seria bom viver autenticamente e representar menos. seria bom sentir que somos amado/as e não somente que frustramos.
malinconia frustrante.
um beijo de melhor ano. foi só o pai natal que morreu, não foi?
terça-feira, dezembro 18, 2007
bem-vindo ao mundo, bebé!
domingo, dezembro 16, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
todoia

sábado, dezembro 08, 2007
"o pai natal morreu"
foto: D., 5 dezembro 07
terça-feira, novembro 27, 2007
cura
tenho uma mão pequenina
tu tens outra igual à minha
faço mimos, faço festas,
não bato mesmo a ninguém
e a tua,
é assim também?
ho una mano piccolina
hai un'altra uguale alla mia
faccio delle carezze, delle coccolate,
non faccio proprio male
e la tua
lo fa uguale?
poema na sabedoria diária da minha Educadora, traduzione da quel che sono stata capace... un momento troppo, demasiado, bello
segunda-feira, novembro 19, 2007
incoerência original
sobre a incapacidade de reagirmos perante o desaparecimento
(escrevi isto a 4 de abril de 2006. hoje, 19 de novembro de 2007, acabou aquela família. e, no meu vazio, as palavras que me vestem são as mesmas. incoerência e vergonha.)
durante a flecha do tempo que nos permitiu conhecermo-nos em estreita articulação com todos os sistemas, habituamo-nos a construir uma imagem do mundo que vai sendo redefinida conforme as incoerências que aceitemos. indago-me sobre os limites perceptivos de tal conhecimento. e, sobretudo, sobre a capacidade de reacção à percepção da nossa própria incoerência.
a incoerência pode ser multiplamente interpretada. se para mim é incoerente defender o valor da vida e, na prática, promover práticas desumanas ao se defender que certo património cultural deve ser defendido e preservado por ser um legado do desenvolvimento humano, para outr@s pode ser incoerente que eu perca tempo a escrever estas palavras e não vá assegurando uma prática proactiva pela assimilação desse mesmo valor da vida. e, no seu âmago, provavelmente terão razão.
deparo-me agora, novamente, com o desaparecimento de quem promoveu a minha vida, se esforçou pela minha felicidade e cuja recompensa, imaginemos, foi a minha incapacidade de envolvimento sob o medo da transformação da imagem. o afastamento de situações problemáticas em seres que me influenciam desde as iniciais percepções da flecha do tempo, original da minha incoerência.
segunda-feira, novembro 05, 2007
sábado, novembro 03, 2007
nina nana
Berrogüetto-Cantos de Monzo
quel che cantavo ai bambini per addormentarci. quel che canto adesso
segunda-feira, outubro 29, 2007
perplessa
era uma vez um metro do Porto. em plena hora de ponta, como se pode esperar, o metro encontra-se cheio. há, no entanto, quem se afaste de “potenciais focos de problemas”. falo de um pequeno grupo de rapazes, entre os 10 e os 13 anos, com expressões “assustadoras” para os restantes transeuntes. ao verem que alguém escrevia qualquer coisa no telemóvel, começaram a representar um possível assalto subsequente, com instruções explícitas: “e é quando ela acaba de escrever que um de nós estica o braço e…”, e, nesse momento, parou de escrever e tirou o dito acessório tecnológico do alcance deles. ao que se seguiu um monólogo triste: sem subir o tom de voz, e perante a apatia de quem seguia no mesmo metro, indagou os rapazes sobre a justiça de tal acto, o conhecimento que tinham sobre o processo de cada um para ter o que tem, o que será preciso para sobreviver – medo ou acção? – etc. até ao ponto em que incorreu na mágoa mais profunda de lhes dizer: “o que vocês precisam é de mimo”. e um olhar muito triste focou o mesmo chão de todos nós. “desculpe, menina, você é bonita. desculpe. até à próxima.”
era uma vez um bairro social com forte percentagem de residência de emigrantes. por diversas vozes considerado das áreas de maior incidência criminal e violência da cidade. um dos problemas efectivos era a comunicação: eram poucos os que falavam a mesma língua. um dia, a caminho do estágio, perdi-me, portuense em Bologna. perguntei ao primeiro rapaz que encontrei uma saída possível; só percebi “Rússia”, ainda não tinha aprendido a falar, mas pegou no meu braço e levou-me até à paragem de um autocarro que me conduziria ao centro. pouco tempo depois perdi-me na periferia oposta, onde só havia caravanas das comunidades Rom nómadas. uma menina reconheceu-me, por me ter visto a entrar no Jardim-de-Infância, apresentou-me a família e continuou a brincar no jardim em que vivia. apontou o caminho de saída e mandou um beijo ao ar. etc, etc.
eram muitas vezes muitas pessoas com medo de respirar. por terem receio de construir alguma solução colectiva, de procurar respostas humanamente comunitárias, deixam-se cair na apatia individualista e egoísta. apostam no fitness enquanto paz de corpo e no vazio constante enquanto paz de espírito. se calhar, nunca pensaram num conceito de Paz dinâmica. aquela que implica acção, disponibilidade, intencionalidade, aquela que não é a ausência da revolta mas a forma privilegiada de luta. aquela que exige crítica para ser compreendida e desenvolvida.
que cansaço de apáticos conformistas. que medo de ser assim quando, de tão cansada, não acreditar de todo que é possível mudar alguma coisa.
quinta-feira, outubro 25, 2007
frammenti di un discorso amoroso
Vagabundagem. Ainda que todo o amor seja vivido como único e que o sujeito rejeite a ideia de mais tarde o repetir, o apaixonado surpreende por vezes em si uma espécie de difusão do desejo de amor; compreende então que está condenado a errar até à morte, de amor em amor.
Obsceno. Desacreditada pela opinião moderna, a sentimentalidade do amor deve ser assumida pelo sujeito apaixonado como uma forte transgressão que o deixa só e exposto; por uma inversão de valores, é então esta sentimentalidade que torna obsceno o amor.
Saudoso. Imaginando-se morto, o sujeito apaixonado vê continuar a vida do ser amado como se nada tivesse acontecido.
roland, saggio mio... come mai sei riuscito ad indovinarci cosi con tanta sicurezza?
terça-feira, outubro 02, 2007
forse lo so
o meu lugar, do outro lado. nunca teve número, mas deve ser ímpar
quarta-feira, setembro 26, 2007
segunda-feira, setembro 24, 2007
Acordai
Svegliatevi...
Heróica, letra José Gomes Ferreira, música Fernando Lopes Graça
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
domingo, setembro 23, 2007
respiro, sufoco
rio douro, zona de sabrosa, vila real
Milk and Honey
Jackson C. Frank (original version)
nello stesso film di Gallo... però questo video non c'entra niente.
c'è un'altra bella versione, di Nick Drake.
sábado, setembro 22, 2007
he said...
come wonder with me love
come wonder with me
away from this sad world
come wonder with me
...
Jeff Alexander in Brown Bunny (a film by Vincent Gallo)
quinta-feira, setembro 20, 2007
"onde perderam a cor nossos sonhos?"
poesia urbana
rua de oliveira monteiro, porto, em setembro de 2005
uns anos antes (dezembro de 2002) tinha pensado em qualquer coisa do género. fiz o que a repetição de dias no hospital, à espera de ar, me permitiu. nesse tempo vivia entre o vermelho e o negro. hoje lembrei-me.
alcuni anni prima (dicembre 2002) avevo pensato in qualcosa simile. ho fatto quello che la ripetizione di giorni passati nell'ospedale, aspettando l'aria, mi ha permesso. in quel tempo vivevo tra il rosso e il nero. oggi mi sono ricordata.
estou assim. sto cosi
que falta de cor, a minha vida
che mancanza di colore, la mia vita.
(bolle. come alcuni dicono - ferve)
quarta-feira, setembro 19, 2007
non mi va di scrivere in italiano

valerie and gotsho embraced, paris, 1999
guido floating, sicily, 1999

dor dor dor
.
não me alcances com ódio, que eu fujo de mim por te querer aqui dentro. em conversas de eu e eu, a minha imbecilidade pede não fujas de mim, pega-me ao colo e logo me agrido, tal como tu o farias. viras as costas e vais-te embora. e vou ter com o nada que me espera, vestido de desespero, única instância com quem faço amor. deito-me doente e serena no vazio e faço de conta que a vida tem sentido. ou a morte. é uma encenação escura, não sei se sem música ou se me tornei surda. e olho o vazio meigo de silêncio (porque o silêncio é atroz se fora do vazio), desmaio e, em modo cobarde, penso se não seria melhor não acordar. sou intrinsecamente imbecil. não te quero compreender porque tenho medo da ideia de que te perdi mal nos olhámos. aquele olhar de tiro.
não há contexto que nos tolere.
não fujas de mim, pega-me ao colo
quinta-feira, setembro 13, 2007
não me apetece escrever em português
terça-feira, setembro 11, 2007
terça-feira, agosto 28, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
o depois

sexta-feira, agosto 17, 2007
tornata...

parece que sim, ao final de contas já voltei. e talvez volte a ter motivo para escrever aqui. por nada demais... porque parece-me que, aqui, volto ao nada demais.
até já *
a bologna que deixei - la bologna che ho lasciato
(in http://digilander.libero.it/capurromrc/0000bologna.html)
(ce la volete, la versione italiana? ho scritto: sembra di si, alla fin fine sono già tornata. e forse torno ad avere un motivo per scrivere qui. per niente in speciale... perche mi sembra che, qui, torno al niente in speciale. a tra pocco *)
quinta-feira, novembro 09, 2006
moving to bologna BO
viaggio in
http://rebolognya.blogspot.com
vi aspetto!
sábado, outubro 28, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
@ bologna


grazie, Gu!
Lost in cheap delirium
Searching the neon lights
I move carefully
Sink in the city aquarium
Sing in the key of night
As they're watching me
Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own
Wrapped in silent elegance
Beautifully broken down
As illusions burst
Too late to learn from experience
Too late to wonder how
To finish first
Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own
Won't you take me home ?...
home, Zero7
dura, la tua macanza...













