domingo, fevereiro 15, 2009

little pop




original photo by Professora Cristina, anos 90





in my mind she runs
in silence don't walk away
no one's home
waiting for tomorrow
everybody else's train
lays me down
walking on ahead
with golden brown
sweet child of
my ilusion
with my mind she runs
jumping someone else's train
can't you help me?
throughout the night


composition from the musical selection of Flavio, 13th feb.2009 afternoon

convite - invitazione

neste dia vos convido para algo que estava disperso por algumas gavetas.

in questo giorno vi invito per qualcosa che si era dispersa tra qualche cassetto.


http://personagem-invisivel.blogspot.com/



*

domingo, fevereiro 01, 2009

aos amigos que vivem perto do arco-íris



sonho colorido de um pintor

sinhô Tom Zé



Meu sol eu pintei de verde
que serve pra enxugar lágrimas
se um dia precisar.
A dor e a tristeza
fiz virar felicidade
aproveitei a tinta
e pintei sinceridade.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

vulnerabilidade







[Nan Goldin]


minha parca resposta



e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia






[E ao anoitecer, Al Berto]

sexta-feira, dezembro 19, 2008

estranheza

foto de Akio Takemoto, 2007



já fui





sob o olhar de quem via assim as coisas. nem sei onde pus aquelas calças e saias e coisas largas, sei do colar e não o uso. não sei onde é que me arrumei, mas deve ter sido a primeira vez. como não costumo ser organizada, não sei onde fui parar. por enquanto estou pelo centro-sul no país mais ocidental da europa, diz a bússula. naquele então estava no centro-norte do país bota. e era uma lomo fish eye, e eu levei um pin da embaixada lomográfica do bairro alto. as coisas pareciam todas mais agressivas e vivas. eu escrevia menos e vivia mais. agora vivo menos mas também não escrevo muito. venha estalo no meio da cara.





não sei o que fiz ao que era de mim. se calhar vendi e tapei com boas-figuras. tenho saudades de andar a chorar e a dançar mais no meio da rua, de ter comentários mais desagradáveis que o suportável e de sentir a consciência eminentemente mais tranquila porque mais exposta.

deve ter sido isso, vesti-me. há quem diga que cresci

sábado, novembro 01, 2008

existência pendular

.


truque de nunca pertencer. no caminho, destruição desconstruída. pedaços. ervas mortas e coisas verdes e amarelas. não pertencer aqui ou ali, continuar caminho. enxugar a humidade, vestir e despir lã, olhar nos olhos, continuar caminho. não ser isto nem aquilo, ver o cavalo estático em pasto, não tentar acelerar o tempo ou espaço, romper apatias, continuar caminho.

ultrapassar o transcendente. ser pendular. domínios de existência.

tenho o âmago susceptível. já posso escrever.

segunda-feira, outubro 13, 2008

sistema digestivo

.


eu já engoli sofregamente o coração, a escada, o mundo, a viagem, a ilha, o eclipse, as rosas com o cavalo e, sobretudo, a Zoe e o Anjo... que delícia, obrigada
disse eu

ainda bem que pude contribuir para uma refeição tão poética
disseste tu

desta vez engoli o livro da dança, mastigo a reza na era da técnica e tento saborear mais devagar a perna esquerda de paris. tinha de o conhecer melhor
disse eu

e com que velocidade o mastigas... eu estou na fase de por vezes fazer dieta dele
disseste tu

certos livros devem ser degustados, outros engolidos, e alguns pouco mastigados e digeridos
disse ele

já a fazer leituras-encontros :)
respondeste

domingo, outubro 12, 2008

urgência

.


Amigo, perdi o caminho. Eco: O caminho prossegue.
Há outro caminho? Eco: O caminho é só um.
Tenho de reconstituir o trilho. Eco: Está perdido e desapareceu.
Para trás, tenho de caminhar para trás! Eco: Nenhum vai lá ter, nenhum.
Então farei daqui o meu lugar, Eco: (A estrada continua),
Permanecerei imóvel e fixarei o meu rosto, Eco: (A estrada avança),
Ficarei aqui, ficarei para sempre. Eco: Nenhum se fica por aqui, nenhum.
Não consigo encontrar o caminho. Eco: O caminho prossegue.
Oh, os lugares por que passei! Eco: Essa viagem acabou.
E o que virá por fim? Eco: A estrada prossegue.



Edwin Muir (1887-1959, Reino Unido)

trad. Cecília Rego Pinheiro, in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

segunda-feira, setembro 22, 2008

cedo (do verbo ceder)

que grande... para mais, ver o cd "Canção ao lado" de Deolinda.

se for assim, que haja fado

(faltam nesta montagem algumas das músicas mais bonitas. é procurar...)

sexta-feira, setembro 12, 2008

sexta-feira, setembro 05, 2008

palavras de agosto, palavra de verão

.

tempos parados em estações. tempos que se movem sem destino preciso, invenção de palavras. tempos de morte aventureira para se renascer. tempos de vida. tempos de necessidade. natureza de tempos amáveis e agrestes. conchas repletas de tempos, sons e espaços. tempos e melodia e de melancolia.
tempos e tempos e tempos.

partida e chegadas. nunca somos um só, por mais que sejam as palavras atrofiadas ou ditas. cruzamentos incansáveis de surpresa, beleza e beatitude de paisagens que nos ignoram e superam. que bela ignorança beata. que beatitude mais despercebida. carris incólumes, quentes, portadores. belos viajantes, infindos sonhos, vontade de partir e de ficar. medo de atravessar o que se enfrenta. medo de partir e de perder. confiança no invisível que é mais objecto que o próprio corpo. dança e acrobatas de aromas e outros sentidos. dança, que o corpo não pode parar. colares ternurentos, memória e percurso. andar em frente, não às arrecuas. encher a vida - ela é nossa. vivê-la soberanamente em cada rua por decalcar. viver sem mágoa, inventar coragem e criar caminho. avançar, deslumbrar, (re)partir, enfrentar, caminhar, caminhar, caminhar.

sigo as sombras e os reflexos, depois espero. no tempo de espera, invento-me. dou sentido à ocorrência. brotam termos que vão definindo cada acção, e o outro vê-me e reflecte. reflectindo, sigo em frente e volto a parar. procuro a direcção do meu andar. paragem necessária para a invenção do novo tempo. tempo de espera, tempo de invenção, tempo de mim mesma. sou o tempo que percorro.

segunda-feira, agosto 25, 2008

timbre

.
.
.

não, acho que estás te fazendo de tonta
te dei meus olhos p'ra tomares conta
agora conta como hei-de partir


(dizem Chico Buarque, Tom Jobim e Telma Costa em "Eu te amo")

quinta-feira, julho 10, 2008

morre uma borbulha e nasce outra do outro lado

às vezes. ou faz de conta.


momento solitário de necessidade de mimo. alguma coisa morre, ou o eterno sobrepõe o objecto?



até amanhã*

terça-feira, julho 01, 2008

avós

foi escrito para vós. a pensar na vossa casa, com a minha rude tendência de juntar palavras. com tanto que sinto.



I.
O que enche o inverno frio são, sem dúvida, os teus olhos.

É frio de casas incólumes,
de ventos que partem paredes
e afastam palavras.

Sombrio como a noite que se põe sem lua,
descrente nos restantes astros
e de fracassos somados ao abandono das ruas.

Mas com os teus olhos
crias o mundo em que me apaixono.

Nas tuas pupilas descanso,
meu colo meigo,
e na íris desperta
acordo cada sentido meu.

Fitas o mundo e brilhas,
no reflexo dos meus olhos,
para toda a pureza de um novo dia.

E eu, de mãos vazias,
espero o reflexo do teu olhar
no meu
para poder tocar a vida que,
sem ti,
não existiria.


II.
Inventam-se, a cada dia, as pessoas que se amam.

Ainda que o sol não seja o mesmo
nem o mar
nem as andorinhas
que, uma vez por ano, procuram aquela janela.

Ainda que tudo mude
o amor não pode ser mudo
e reinventa quem se ama
em cada palavra pensada.

E, quando a palavra não surge,
inventa ainda o silêncio
(um silêncio mais doce
que uma palavra em vão,
o silêncio do gesto
e do abraço descoberto).

Sai-se do aperto,
da solidão,
e a pessoa mais a pessoa
inventam uma nova escala.

É assim que,
quando o amor fala,
se descobre a imensidão.

sexta-feira, junho 27, 2008

aos meninos grandes

.
.
.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.


(disse Eugénio de Andrade em Não quero, não)


um beijo enorme a estes grandes *

segunda-feira, junho 09, 2008

poesia do prosaico

.

I.

É íntimo, o mundo em que te sento. Tão íntimo quanto o meu corpo nu. Vestes-me algumas linhas e empurras para ela o meu pescoço. Como se o cabelo não existisse. E ela, molenga, aceita-me e recua. Estancam os meus olhos nos acumuladores de palavras. Palavras limpas e palavras sujas, presumo. Todas juntas, ignorando o meu sono.

Sento a toalha na cama, ela veste um mínimo de subtileza e conduz-me à almofada. Frente à cama, arquivos. Palavra de sono.


II.

Esbranquiçada e torta por todo. Quase-rebola e vê o mundo quase-morto. Só precisa de água e luz e de perder o esquecimento. Criar memória e colá-la às coisas. Para haver coisas com memória e menos mortas. Depois, quando rebola torta, descobre a vida.

Estanque, a bola de trapos. Ignora a cola que aponta a planta amurchada. Falta-lhe água. Falta-nos perder o esquecimento. Nunca me lembro.


.
.
.

sexta-feira, abril 25, 2008

ainda espero, que o tempo faz-se lento

mas adoro a voz desta senhora



Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia Mello Breyner Andresen

sábado, abril 12, 2008

la mort pour les rêves

Nous aurons des lits pleins d'odeurs légères,
Des divans profonds comme des tombeaux,
Et d'étranges fleurs sur des étagères,
Ecloses pour nous sous des cieux plus beaux.

Usant à l'envi leurs chaleurs dernières,
Nos deux coeurs seront deux vastes flambeaux,
Qui réfléchiront leurs doubles lumières
Dans nos deux esprits, ces miroirs jumeaux.

Un soir fait de rose et de bleu mystique,
Nous échangerons un éclair unique,
Comme un long sanglot, tout chargé d'adieux ;

Et plus tard un Ange, entr'ouvrant les portes,
Viendra ranimer, fidèle et joyeux,
Les miroirs ternis et les flammes mortes.

La Mort des Amants, in Les Fleurs du Mal,
Charles Baudelaire
odio-distruzzione a Marzabotto: la mort profonde
(foto di Luglio 2007)

aspetto il sogno, credo che possa esistere... alla fin fine. a volte si deve sparire per poi rinascere.

abbiamo diritto a non essere morti, diceva I. (5 anni). aveva ragione. voglio imparare dacappo come si vive e come si sogna *

quarta-feira, abril 02, 2008

dia deles

eles são os livros para a infância e um dos senhores que mais nisso pensou, que faria hoje 203 anos_loro sono i libbri per l'infanzia e uno dei signori che ne ha più pensato, il cui farebbe oggi 203 anni



Podes mostrar o livro a quem quiseres, isto é, a pessoas com olhos doces e que sejam amigáveis, mas se vem um cavalo do inferno... Então fecha o livro ilustrado do padrinho.



O livro ilustrado do padrinho (1868) Hans Christian Andersen

sexta-feira, março 21, 2008

metáfora de equinócio

primavera tem olhos semicerrados e procura nas nuvens um rasgo de sol. pede dias maiores e vive de flores assim, num céu amarelo.




p aredes rasgadas
a brem caminho ao sol.
p oentes ou nórdicas ventanias
o uvem cada semente
i nsensata
l avrando melancolias novas,
a rrancadas ao negrume da mata.

d oem-se nascentes
a mores...

p ousam,
r amo após raiz,
i nsectos e aves triunfantes.
m oem a tristeza,
a nunciam a natureza petiz
v era crua manifestante.
e ra uma vez,
r aptada Perséfone ou estação se escolha,
a primavera da papoila.

sábado, fevereiro 16, 2008

solidão, diz armindo rodrigues

assim:

Na devoradora agonia
desta aventura de estar só,
nuvem que passas,
inutilmente procuro
o convívio da tua sombra.
Calam-se até na memória
o vento e as fontes.
As estradas não conduzem
de parte nenhuma para nenhuma parte.
Parou o sol.
Esvaziou-se o espaço.
Só tu,
subterraneamente,
em mim esvoaças, esperança,
minha ave de entranhas.



giorno di memoria vietata. anche di impassibile presente. maledetta speranza, mi uccide e non mi fa far nula.

vou embora, que amanhã este não será o meu chão. desaparece, por tacos novos. só tenho fotografias e letras, mas juntaram-se de tal maneira que não me passa a tosse.

parece que engoli o pó todo que cá tenho arquivado.

domingo, fevereiro 03, 2008

someone might wait

rua dos bragas, porto, 2005/06
.
.
(as Tom Waits once sang)
.
.
take me home you silly girl
put your arms around me
take me home you silly girl
all the world is not round without you
i'm so sorry that i broke your heart
please don't leave my side
take me home you silly girl
'cause i'm still in love with you
.
.
.
(sem-casa, procura-tecto, lugar-nenhum. quero sair da distopia)

sábado, fevereiro 02, 2008

terça-feira, janeiro 29, 2008

hipotetical 3rd dimension


from the Pato unlimited productions :)
(aka mestre luís rastinha)
through the world or even more far away *

quarta-feira, janeiro 23, 2008

ternurenhice

.
.
.
pausa (de semínima)
.
e antes de despedir, um momento de ternura para concretizar um dos princípios proposto no grupo de crianças: nunca se recusa um abraço.

vem logo Sérgio Godinho à cabeça


são dois braços
são dois braços
servem p'ra dar um abraço

assim como quatro braços
servem p'ra dar dois abraços

e assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
para os abraços

terça-feira, janeiro 15, 2008

a duas senhoras

porque...



uma nasceu no meu dia de anos, ainda que quase 100 anos antes, e escreveu

Nenhum olhar, fosse de um ser humano, de uma fera enjaulada ou de um animal de estimação, havia contemplado Mrs. Lanier quando ela não estava melancólica. Ela dedicava-se à melancolia, como os artistas menores às palavras e à tinta e ao mármore.

(no Coração de Manteiga, um dos seus contos)









a outra faleceu no ano em que nasci, e se tal não tivesse acontecido, teria completado no outro dia 100 anos. para além disso, disse

Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.
.
(penso que o disse no Segundo Sexo)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

começo o ano com um adeus

*

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti



Um adeus português,
Alexandre O'Neill
*

segunda-feira, dezembro 31, 2007

tragicomédia pessoal

em 2006 procurei arduamente um sentido,



em 2007 foi notório que não o encontrei.

e acho que é bom assim.

sorriso para 2008

:) *

quinta-feira, dezembro 27, 2007

malinconia

vuoto del tutto.

barthes esqueceu-se deste termo. não é só passado, é presente sem resposta e falta de ar para o futuro em que não se acredita. passado sem gavetas fechadas, presente sem portas abertas. tempo em que toda/os pseudo-sorriem e quem resta não consegue responder a nenhuma expectativa. é preciso descentrar... é preciso dar atenção e não fugir com medo da consequência. é preciso viver de vez em quando e esconder o medo. é preciso viver o que é preciso sem o tomar como obrigação. seria bom viver autenticamente e representar menos. seria bom sentir que somos amado/as e não somente que frustramos.

malinconia frustrante.

um beijo de melhor ano. foi só o pai natal que morreu, não foi?

terça-feira, dezembro 18, 2007

bem-vindo ao mundo, bebé!


o gerês, para ti



para além do sol e das árvores, o mundo é todo para ti, Pedrinho pequenino



beijo sem tamanho possível, papá e mamã :) estou de sorriso incontrolável e olhos cheios

segunda-feira, dezembro 10, 2007

todoia


as melhores - margaridas brancas



há quem conheça a história, mas as palavras têm sido escassas.


um olá de todoia para aqueles/as que não vêm as coisas nos mesmos nomes, ou espaços, ou tempos, dos/as outros/as.


todoia era o que um eu cá dentro chamava às flores. penso que as tratei por esse nome até entrar na escola. quase todas as palavras tinham sentido, sobretudo se cantadas, mas flor não. não era, sequer, real. todoia.


estou a deixar de conseguir contar histórias e estórias, por isso agradeço que alguém me faça acreditar novamente em todoias. aquelas que afagam com mansidão e aquecem o sangue mais dentro possível. as que existem, mais que a imagem que construímos delas.
.
.
.
non ce la faccio più a tradurre. credo che ho smesso di avere la capacità linguistica. se c'è qualche interesse in sapere quel che c'è scrito: 1. indovinare; 2. scrivere un commento e chiederlo; 3. aspettare...

sábado, dezembro 08, 2007

"o pai natal morreu"

anuncie-se por aí.
foto: D., 5 dezembro 07



o pai natal morreu, disse a B.

porquê?, perguntámos

porque eu vi a notícia, disse à outra estagiária



e depois vi-o pendurado por aí, disse-me





parece que este ano o pai natal se enforcou. andam aí a imitá-lo, mas ele morreu.





sábia menina...
(insomma: il babbo natale è morto, mi dice una bambina)

terça-feira, novembro 27, 2007

cura

  1. mão pequenina, j.,21 nov 07



tenho uma mão pequenina

tu tens outra igual à minha

faço mimos, faço festas,

não bato mesmo a ninguém

e a tua,

é assim também?



ho una mano piccolina

hai un'altra uguale alla mia

faccio delle carezze, delle coccolate,

non faccio proprio male

e la tua

lo fa uguale?





poema na sabedoria diária da minha Educadora, traduzione da quel che sono stata capace... un momento troppo, demasiado, bello

segunda-feira, novembro 19, 2007

incoerência original

ou

sobre a incapacidade de reagirmos perante o desaparecimento

(escrevi isto a 4 de abril de 2006. hoje, 19 de novembro de 2007, acabou aquela família. e, no meu vazio, as palavras que me vestem são as mesmas. incoerência e vergonha.)


durante a flecha do tempo que nos permitiu conhecermo-nos em estreita articulação com todos os sistemas, habituamo-nos a construir uma imagem do mundo que vai sendo redefinida conforme as incoerências que aceitemos. indago-me sobre os limites perceptivos de tal conhecimento. e, sobretudo, sobre a capacidade de reacção à percepção da nossa própria incoerência.

a incoerência pode ser multiplamente interpretada. se para mim é incoerente defender o valor da vida e, na prática, promover práticas desumanas ao se defender que certo património cultural deve ser defendido e preservado por ser um legado do desenvolvimento humano, para outr@s pode ser incoerente que eu perca tempo a escrever estas palavras e não vá assegurando uma prática proactiva pela assimilação desse mesmo valor da vida. e, no seu âmago, provavelmente terão razão.

deparo-me agora, novamente, com o desaparecimento de quem promoveu a minha vida, se esforçou pela minha felicidade e cuja recompensa, imaginemos, foi a minha incapacidade de envolvimento sob o medo da transformação da imagem. o afastamento de situações problemáticas em seres que me influenciam desde as iniciais percepções da flecha do tempo, original da minha incoerência.

sábado, novembro 03, 2007

nina nana

Berrogüetto-Cantos de Monzo

quel che cantavo ai bambini per addormentarci. quel che canto adesso

segunda-feira, outubro 29, 2007

perplessa

não consigo evitar ficar perplexa com o que tenho lido. falo nomeadamente no âmbito da violência e respostas possíveis para potenciar um contexto oposto – inocentemente, por vezes, denominado Paz.

era uma vez um metro do Porto. em plena hora de ponta, como se pode esperar, o metro encontra-se cheio. há, no entanto, quem se afaste de “potenciais focos de problemas”. falo de um pequeno grupo de rapazes, entre os 10 e os 13 anos, com expressões “assustadoras” para os restantes transeuntes. ao verem que alguém escrevia qualquer coisa no telemóvel, começaram a representar um possível assalto subsequente, com instruções explícitas: “e é quando ela acaba de escrever que um de nós estica o braço e…”, e, nesse momento, parou de escrever e tirou o dito acessório tecnológico do alcance deles. ao que se seguiu um monólogo triste: sem subir o tom de voz, e perante a apatia de quem seguia no mesmo metro, indagou os rapazes sobre a justiça de tal acto, o conhecimento que tinham sobre o processo de cada um para ter o que tem, o que será preciso para sobreviver – medo ou acção? – etc. até ao ponto em que incorreu na mágoa mais profunda de lhes dizer: “o que vocês precisam é de mimo”. e um olhar muito triste focou o mesmo chão de todos nós. “desculpe, menina, você é bonita. desculpe. até à próxima.”

era uma vez um bairro social com forte percentagem de residência de emigrantes. por diversas vozes considerado das áreas de maior incidência criminal e violência da cidade. um dos problemas efectivos era a comunicação: eram poucos os que falavam a mesma língua. um dia, a caminho do estágio, perdi-me, portuense em Bologna. perguntei ao primeiro rapaz que encontrei uma saída possível; só percebi “Rússia”, ainda não tinha aprendido a falar, mas pegou no meu braço e levou-me até à paragem de um autocarro que me conduziria ao centro. pouco tempo depois perdi-me na periferia oposta, onde só havia caravanas das comunidades Rom nómadas. uma menina reconheceu-me, por me ter visto a entrar no Jardim-de-Infância, apresentou-me a família e continuou a brincar no jardim em que vivia. apontou o caminho de saída e mandou um beijo ao ar. etc, etc.

eram muitas vezes muitas pessoas com medo de respirar. por terem receio de construir alguma solução colectiva, de procurar respostas humanamente comunitárias, deixam-se cair na apatia individualista e egoísta. apostam no fitness enquanto paz de corpo e no vazio constante enquanto paz de espírito. se calhar, nunca pensaram num conceito de Paz dinâmica. aquela que implica acção, disponibilidade, intencionalidade, aquela que não é a ausência da revolta mas a forma privilegiada de luta. aquela que exige crítica para ser compreendida e desenvolvida.

que cansaço de apáticos conformistas. que medo de ser assim quando, de tão cansada, não acreditar de todo que é possível mudar alguma coisa.

sour times

by portishead

quinta-feira, outubro 25, 2007

frammenti di un discorso amoroso

un tributo a barthes



Vagabundagem. Ainda que todo o amor seja vivido como único e que o sujeito rejeite a ideia de mais tarde o repetir, o apaixonado surpreende por vezes em si uma espécie de difusão do desejo de amor; compreende então que está condenado a errar até à morte, de amor em amor.

Obsceno. Desacreditada pela opinião moderna, a sentimentalidade do amor deve ser assumida pelo sujeito apaixonado como uma forte transgressão que o deixa só e exposto; por uma inversão de valores, é então esta sentimentalidade que torna obsceno o amor.

Saudoso. Imaginando-se morto, o sujeito apaixonado vê continuar a vida do ser amado como se nada tivesse acontecido.



roland, saggio mio... come mai sei riuscito ad indovinarci cosi con tanta sicurezza?

terça-feira, outubro 02, 2007

forse lo so

sou tão vazia que tento absorver-te para preencher o que não sou. nada de troféus, nada de caprichos. és tu no reflexo, que eu não consigo ser nada. só por isso é que me vês.


desculpa



o meu lugar, do outro lado. nunca teve número, mas deve ser ímpar

segunda-feira, setembro 24, 2007

Acordai

Svegliatevi...

Heróica, letra José Gomes Ferreira, música Fernando Lopes Graça


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

domingo, setembro 23, 2007

respiro, sufoco

não devia ser permitido viver com tão pouco ar. é um sufoco pensar que há quem pense em não respirar mais. como tu. como consequência também a mim custa respirar, não há ciclo possível, é uma espiral que causa vertigens e degola qualquer sonho.


às vezes pergunto-me se os sítios em que te penso são aqueles em que vives. quando a tua presença se reduz ao meu pensamento, a fragilidade parece diminuir à mesma proporção da intensidade. o reino vazio. aquele sítio em que somos fortes porque não sentimos, não temos essa necessidade. não quero viver no vazio. prefiro magoar-me a cada passo e sentir que este corpo, que me rejeita, conseguiu andar mais.


deito-me no teu caudal, rio das minhas lágrimas. o teu abraço é terno

rio douro, zona de sabrosa, vila real

Milk and Honey

Jackson C. Frank (original version)
nello stesso film di Gallo... però questo video non c'entra niente.


c'è un'altra bella versione, di Nick Drake.

sábado, setembro 22, 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

"onde perderam a cor nossos sonhos?"

dove hanno perso il colore i nostri sogni?

poesia urbana
rua de oliveira monteiro, porto, em setembro de 2005




uns anos antes (dezembro de 2002) tinha pensado em qualquer coisa do género. fiz o que a repetição de dias no hospital, à espera de ar, me permitiu. nesse tempo vivia entre o vermelho e o negro. hoje lembrei-me.

alcuni anni prima (dicembre 2002) avevo pensato in qualcosa simile. ho fatto quello che la ripetizione di giorni passati nell'ospedale, aspettando l'aria, mi ha permesso. in quel tempo vivevo tra il rosso e il nero. oggi mi sono ricordata.


estou assim. sto cosi



que falta de cor, a minha vida

che mancanza di colore, la mia vita

.

(bolle. come alcuni dicono - ferve)

quarta-feira, setembro 19, 2007

non mi va di scrivere in italiano

de nan goldin














valerie and gotsho embraced, paris, 1999

guido floating, sicily, 1999







dor dor dor

.

não me alcances com ódio, que eu fujo de mim por te querer aqui dentro. em conversas de eu e eu, a minha imbecilidade pede não fujas de mim, pega-me ao colo e logo me agrido, tal como tu o farias. viras as costas e vais-te embora. e vou ter com o nada que me espera, vestido de desespero, única instância com quem faço amor. deito-me doente e serena no vazio e faço de conta que a vida tem sentido. ou a morte. é uma encenação escura, não sei se sem música ou se me tornei surda. e olho o vazio meigo de silêncio (porque o silêncio é atroz se fora do vazio), desmaio e, em modo cobarde, penso se não seria melhor não acordar. sou intrinsecamente imbecil. não te quero compreender porque tenho medo da ideia de que te perdi mal nos olhámos. aquele olhar de tiro.


não há contexto que nos tolere.


não fujas de mim, pega-me ao colo

quinta-feira, setembro 13, 2007

não me apetece escrever em português

nella palla
(foto by enrico, produzione by akio)



vorrebbe rendere perpetuo l'abbraccio al infinito e poter dare una carezza senza sentire il quanto fa male. mi piacerebbe non percepire che tradisco tutto un mondo nel mio sguardo; però sono egoista e preferisco non tradirmi a me stessa. la verità cruda è che sono qui, senza fame, con delle dolori variabili, vagando nello spazio ed aspettando, come un bambino, quel sguardo tenero che mi permetta di andare avanti.

quarta-feira, agosto 22, 2007

o depois


parece que continuo a andar. e a olhar algures. para o caso não importa. os dias contam-se a si próprios e nós vamo-nos contando as histórias que queremos ouvir, por mais medo que provoquem. ou enlouqueci de envelhecida...


(il dopo) sembra che continuo ad andare. e guardando da qualche parte. per questo non importa. i giorni si contano a se stessi e noi ci raccontiamo le storie che vogliamo sentire, con tutta la paura che possano provocare. oppure sono diventata matta di invecchiata...

sexta-feira, agosto 17, 2007

tornata...



parece que sim, ao final de contas já voltei. e talvez volte a ter motivo para escrever aqui. por nada demais... porque parece-me que, aqui, volto ao nada demais.





até já *

a bologna que deixei - la bologna che ho lasciato

(in http://digilander.libero.it/capurromrc/0000bologna.html)






(ce la volete, la versione italiana? ho scritto: sembra di si, alla fin fine sono già tornata. e forse torno ad avere un motivo per scrivere qui. per niente in speciale... perche mi sembra che, qui, torno al niente in speciale. a tra pocco *)

quinta-feira, novembro 09, 2006

moving to bologna BO

...como o blogger não gosta de mim e não me deixa mostrar mais imagens no Rebelonya, eu faço-lhe uma finta e crio o Rebolognya. era assim, Serrito? :)


viaggio in

http://rebolognya.blogspot.com


vi aspetto!

segunda-feira, agosto 28, 2006

@ bologna















grazie, Gu!






Lost in cheap delirium
Searching the neon lights
I move carefully
Sink in the city aquarium
Sing in the key of night
As they're watching me

Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own

Wrapped in silent elegance
Beautifully broken down
As illusions burst
Too late to learn from experience
Too late to wonder how
To finish first

Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own


Won't you take me home ?...


home, Zero7



dura, la tua macanza...