domingo, outubro 30, 2011

Dia 10: No meu jardim


No meu jardim @ Sintra, 2011

Menina Mafalda, vou partilhando uma ou outra foto repetida do FB, já que o dote fotográfico é pequenino mas acho que também deves ir conhecendo este meu "novo" universo! E falo directamente para ti porque és a maior interlocutora deste blog nestes últimos tempos :) Beijinhos meus e dos aristogatos-vira-latas que se passeiam no nosso quintal!

sexta-feira, outubro 28, 2011

Dia 9: Longa exposição


Sintra lumina, 2011

Não é, amigos, não é uma longa exposição. Mas nós queríamos que fosse :) Penso que a foto não seja minha, mas sim do Diogo. Partilho convosco um bocadinho de um Paço iluminado *

sexta-feira, setembro 23, 2011

Dia 8: Ao fim da tarde


Quase-Porto @ Matosinhos, 2009

Esta já era conhecida aqui no blog, mas tinha de repetir... É um fim de tarde insubstituível, aquele em que estava rente ao meu mar da primeira vez que o Diogo me acompanhou ao Porto :) *

quinta-feira, setembro 15, 2011

Dia 3: A minha cidade


O meu Porto, 2009

Ainda procurei outras imagens, para não voltar a repetir, mas parece que só aqui captei o meu Porto... Aquele que me falta, aquele em que me perco, onde encontro os meus amigos e onde me acolhem os braços mais ternos da família. É esta a sua forma, algo fortificada, com passagens inseguras, com cores estranhadas pela neblina, aquele meu Porto que limpa as suas lágrimas nas margens do Douro.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Dia 1: Auto-retrato

Self-portrait @ Modena, 2006




Vou inspirar-me na Inês Meireles (via FB) e na Mafalda Barroca (blog Mundo ao Contrário) e responder ao desafio fotográfico... Sem levar a peito o seguimento dos dias, que duvido conseguir cumprir nos momentos que se avizinham :) A quem mais queira fazê-lo, ou apenas passear pela minha parca memória fotográfica, bem-vindo/a!

DIA 1 – AUTO-RETRATO
DIA 2 – MANHÃ DE DOMINGO
DIA 3 – A MINHA CIDADE
DIA 4 – PEQUENA ALEGRIA DO DIA
DIA 5 – O MEU PLACARD
DIA 6 – SAUDADE
DIA 7 – ALGO COR-DE-ROSA
DIA 8 – AO FIM DA TARDE
DIA 9 – LONGA EXPOSIÇÃO
DIA 10 – NO MEU JARDIM
DIA 11 – LIVRO FAVORITO
DIA 12 – NOSTALGIA
DIA 13 – VIAGEM
DIA 14 – INDISPENSÁVEL
DIA 15 – ÀS 14H
DIA 16 – MAU HÁBITO
DIA 17 – PROEZA
DIA 18 – NO MEU PRATO
DIA 19 – SORRISO
DIA 20 – MEMÓRIA DE INFÂNCIA
DIA 21 – RECONFORTANTE
DIA 22 – NOSTALGIA
DIA 23 – FAMÍLIA
DIA 24 – NA T.V.
DIA 25 – GUILTY PLEASURE
DIA 26 – TRADIÇÃO
DIA 27 – ALGO VERMELHO
DIA 28 – A MINHA AGENDA
DIA 29 – NOVIDADE
DIA 30 – A PRETO E BRANCO

terça-feira, junho 28, 2011

um bocadinho de outra coisa

E porque desta vez ousarei traduzir o texto que mais fez sentido ao final do dia

"Deus sabe como amo a vida.
O vento toca nas margens e surge um novo dia,
Não posso pedir mais.

Quando o sino do tempo sopra no meu coração
E eu consegui viver um dia melhor...
Bem, ninguém mais travou esta minha batalha!

E os momentos dois quais tanto gosto,
Os lugares de amor e mistério,
Posso estar lá em qualquer momento.

Oh mistérios do amor
Onde a guerra perde lugar -
- Eu estarei lá em qualquer momento."

.


God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime


Mysteries, Beth Gibbons & Rustin Man

quinta-feira, junho 02, 2011

se a língua do coração nos fizer chorar

É uma língua, nada mais que isso. Permite-nos comunicar com quem connosco partilha um conjunto de regras descritas no seu código linguístico. Se correr bem, fazemo-nos entender; caso contrário, há que rezar por uma saída cómica da situação.

Quando é do coração já vem viciada. Ao código soma-se um posto, algures do lado esquerdo do corpo, e por ser do corpo já vem remexida de entranhas e sentires. O que dantes implicava dois corpos próximos, hoje nem tanto; podem ser simplesmente dois corpos imaginados. Um que imagina o outro, tem de o imaginar porque não o vê (não vale imaginar porque não gosta do que vê - isso cai fora da língua do coração, não respeita a sua deontologia).

Quando ela fala (a língua do coração, entenda-se) expõe de tal modo a alma que esta vem caindo pelos olhos. Creio ser mesmo um factor de sobre-exposição. Estilo escaldão linguístico, de tão emotivo. A água acalma por onde passa, por isso a língua do coração pede a sua presença refrescante. Outras vezes pede-lhe que afogue, porque as palavras já não devem sair com vida. Ao se tornarem um problema, como em qualquer outro sistema ecológico, arranja-se maneira de responder. Qual frivolidade animal, que se afogue a palavra dura.

Se esta língua nos faz chorar muitas vezes... Pois. Não creio que compense desistir dela. É capaz de ser das únicas que nos move mesmo desde a essência. É a língua das nossas primeiras palavras (da minha todóia, por exemplo, que ainda hoje continua a ser o reflexo da calma em mim produzida pelas flores), dos nossos primeiros, intermédios e últimos amores, das nossas discussões entre o eu1 e o eu2 sobre dilemas que dilaceram o nosso coração.

É também aquela língua que não esquecemos. A amnésia pode quebrar a memória do evento, mas não da forma como o comunicamos. Onde quer que estivermos - mesmo a milhares de quilómetros de distância do nosso húmus mais querido - conseguimos soletrar cada palavra proferida na língua do coração. E nunca o fazemos de modo errado. É uma língua mesmo nossa, aprendida por cada célula do que nos preenche.

É a língua das entranhas, do húmus e das lágrimas (menos visceral um bocadinho). Um dia ensinaram-me que podia ver se tinha aprendido outra língua caso me apercebesse que começara a sonhar nesse registo. E foi verdade. Mas essa língua sonha de noite, não fala da nossa essência plena. A outra é que é nossa. Essa fala de dia e sonha de noite. A outra sonha e fala dia e noite.

É muito nossa. É deveras inteira. Não quero perdê-la, por mais que nos chore.




(com ligação hipertextual: http://bonnybubble.blogspot.com/2011/03/um-dia-destes.html)


segunda-feira, maio 30, 2011

chovem palavras tristes por aqui

e isso cansa-me um bocadinho.

Não sou capaz de me desfazer deste blog, tenho-o desde 2004. Mas é-me difícil ler as palavras duras e tristes que lhe costumo adicionar. Quem tem palavras bonitas e mais dóceis que possa emprestar?

:) boa semana *

segunda-feira, maio 23, 2011

por não sabermos o tempo da despedida

.

Não, nem sempre sabemos quando nos havemos de despedir. Nem sempre atinamos com a pedra dura que não queremos que se nos coloque pela frente. Nem queremos acreditar que ela seja incontestavelmente esperada, mesmo quando nos oferecem um pré-aviso. E esse é um dos sinais da nossa beleza enquanto humanos - não queremos que o nosso mundo se despeça de nós, dignificamos a esperança pelo sorriso. Todos "os outros" tendem a perecer, mas os nossos dão sempre a volta. São os mais fortes, é incontestável. Nem sempre nos apercebemos de que a sua força também está na partida.

E ela parte-nos. Põe-nos aos bocadinhos sem percebermos como nem porquê, e encenamos a volta ao nosso teatro quotidiano. Encenamos a força que temos e que por momentos não nos encontra na plenitude. A beleza prevalece e a memória é tão incontestável quanto doce - e as palavras cómicas, meigas ou sentidas de quem parte continuam connosco até que possamos, noutro estado, voltar a rir ou discutir com quem nos habituou a fazê-lo.

Há quem opte por se ir embora da nossa vida. Também já o fizemos. Mas rói muito mais saber que alguns dos que mais guardamos se vão embora sem perceberem como convocar a despedida. Talvez nunca tenham ido mesmo e estejam em cada sorriso, em cada palavra e em cada alma cheia com que o nosso caminho nos vai presenteando.

Um mimo no coração de quem perdeu as palavras e os gestos presentes.
O resto há-de continuar cá dentro *

terça-feira, janeiro 25, 2011

no inverno as folhas desaparecem, não se limitam a secar.

creio que Sintra continuará a ser excepção. há sempre sombras verdes, por aqui. por exemplo, há uma parede de minha casa que já é mais verde que branca. o verde entra pelas paredes e tenta possuir o espaço. depois, fica atrapalhado, porque percebe que eu já fui mais verde e receptiva às folhas que voam, com ou sem palavras.

ando sem asas, muito ema - muito ave com asas que não voa. não há ânimo na sombra dos meus olhos. não há fuga que me dê a ilusão de o resgatar. só o colo terno amansa a fadiga e retempera os olhos, que brilham de novo quando olham com amor


*


terça-feira, dezembro 28, 2010

que outras 50 primaveras criariam tamanho sorriso?

... um parabéns repenicado no dia das cinco décadas, mais um miminho para quem fez menos três há uns diazitos :)

obrigada por este sorriso que ilumina infinitamente o nosso caminho
*
nota: és a minha mãe preferida, ouviste?
*******

sábado, dezembro 11, 2010

mas a luz branca é terna,

tal como as noites brancas, esse raro universo russo meigo de ternuras. há sempre dias de mimo, para que nos queixamos?

um pequenino caos ocupou o espaço entre as paredes. tinha saudades, talvez. fazia parte de uma outra escala, e agora fico melhor.

a luz branca é terna. alguém inventou 20º C em Dezembro, alguém me evitou um frio amargo, alguém me permitiu ler palavras boas.

obrigada * de olhos ensonados, obrigada

.

segunda-feira, novembro 29, 2010

olhos semicerrados de luz branca



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estou naquela fase em que olho para o meu "caderninho preto" e nenhuma palavra poética da minha parte pode ser encontrada.

que a fase passe.

ou melhor, que a poesia esteja em cada uma das vossas vidas

*

segunda-feira, novembro 22, 2010

Talvez esteja em dia de ser ingrata...

... mas será que quem, do seu bom público, reivindica esta greve de tamanha proporção - 24 de Novembro - tem noção de que não serão os maravilhosos políticos a procurar uma maneira qualquer de inventar transporte para ir trabalhar? Esses têm transporte particular, pá. Com chauffer. Nem todos podem "grevar", já se aperceberam? Eu posso, mas também ninguém nota, porque sou das poucas sortudas sem horário fixo. Mas nem todos podem. Há quem tenha de inventar a porra do mundo para o conseguir. E será que os amigos grevistas apanham esta parte? So sorry, enquanto tivermos (entre outros) serviços de transporte colectivo sem concorrência, isto vai de mal a pior - não é só na greve, é em muitas coisas. Custa perceber como é que o povo se mexe na 4ªfeira. Nem serviços mínimos no Metro. Hora de ponta nos comboios é tudo o que existe. Poluam, que faz bem. Não têm carro? Tivessem!

Estou em dia de pouca compreensão, confesso. Costumo ser solidária nestes dias, mas no próximo não vou ser. E paciência para o facto de a bolsa de investigação por tabela FCT, tal como a que recebo, não ser actualizada há 10 anos, ou lá quantos anos forem. E paciência por não ter estabilidade contratual e nem me ser possível pedir um empréstimo. E etc. Porque diz-me a antiga convivência que somos todos muito precários e inflexíveis, sobretudo quando podemos ficar na cama a dormir até às 16h.

Damn. Que mau humor, este que afecta a portuense em Lisboa. Que mau humor, este que chega quando nos apercebemos que a vida não é mesmo cor-de-rosa e que o activismo foi/é só uma parte, não enche o prato. E etc. Que mau humor, este de nos apercebermos de que a vida não é só a parte do sonho, e que a nossa utopia tem limites hiper-tangíveis.

A mim, magoa. E não digo estas palavras da boca para fora. Nada disso.

.

Nota - como convém nas críticas, deixo uma alternativa. Façam greve, claro que sim - toda a gente pode entrar nos transportes colectivos e nem uma pessoa pode pagar bilhete. Alguma acção poderia ter mais impacto (económico, entre outros) junto dos hiper-coisos patrões?


.

segunda-feira, outubro 11, 2010

segunda-feira, agosto 16, 2010

hey ho...

o verão costumava ter outros sabores, agora é muito daqui. mas costumava saber a coisas diferentes, ágeis e débeis, acabando sempre ainda antes do verão.

agora sorrio ao sol, porque trabalhei com a lua. agora não tenho o antigo tempo, tenho aquilo desejado e que nos deixa sem tempo. mas estou bem, estou muito bem. o sol, por favor.



Achegate a min maruxa,
Achegate moreniña
Tu has ser miña muller,
Tu has ser a muller miña.

E si vas á herba,
Heite de ir a ver
Dareiche un abrazo
Ai!!! Maruxiña do meu querer.

Un abrazo non
Que nos ve meu pai
E despois da casa
Meu queridiño
Vaime berrar

Achegate a min maruxa,
Achegate moreniña
Eu quero casar contigo,
Serás miña mulleriña.

E si vas á herba,
Heite de ir a ver
Dareiche un abrazo
Ai!!! Maruxiña do meu querer.

Estreliña do luceiro, ti ben
O has de saber
Cantas horas ten a noite
Denantes do amanecer?


*

(homenagem ao amor bonito)

terça-feira, julho 20, 2010

domingo, julho 18, 2010

re_conversa

re_converso

na consequência de ter mudado de caderno e dar agora novo espaço às palavras e caracteres
no sorriso de reencontrar sorrisos antes próximos e hoje distantes
no lamento do afastamento em não_sorriso
sob o nosso sol, só nosso, envolto de mar
e o seu azul que me nutre de cores diversas

re_tomo um dia

por vezes mais que um, raramente
e abuso novamente das palavras.

agradeço o re_torno de quem mais atende
à flutuação dos espaços de cada dia,
mantendo a original marca de uma comunicação preciosa.

abuso redundantemente de um minuto perso, perdido,
em que não resisto a voltar a rabiscar electronicamente,
em que confirmo outras sedes de palavras,
em que prevaleço na procura de mais uma sequência repleta de sentido.

pouco repleta sigo,
vou procurar um doce que acalme o excesso estival,
vou abandonar as palavras para depois poder procurá-las,

repleta de saudades,

novamente.

quarta-feira, julho 07, 2010

7 anos depois de vilar de mouros, vou ao alive!

(auch! cota)

faz agora 7 anos que fui ao vilar de mouros 2003, uma altura sobejamente complexa e que não consigo deixar de recordar, aujourd'hui, na véspera de levar o carro até monsanto e deixar encaminhar até algés...

há 7 anos insisti em vir embora do algarve, e em vez de parar em lisboa, conforme planeado, parei em vilar de mouros, nada pertinho, por especial bondade da mãe Carmen. vinha com uma geleira carregada de coisas, descobri à entrada que estavam lá dois colegas do secundário, e pronto, foi o suficiente. fui "avacalhar" - quem já lá esteve pode perceber o sentido muuuado e estrumado da questão - numa tenda permeável à água, qual maravilha no festival mais húmido a que alguma vez assisti.

aquilo de que hoje me rio:
- sepultura elevou ao máximo as minhas expectativas (que eram poucas), e isso devia ver-se na minha carinha de parva a olhar para a guitarra; por vezes reparava que pessoas muito altas, com cabelos muito compridos, muito vestidos de preto e com botas muito duras, se riam a olhar o meu pseudo-"hippieismo" sorridente
- em guano apes fui apanhada pelo moche (não tmn, aquele mesmo fabuloso para quem tinha a mania de andar com as sandálias cristãs), que ia até à reggie de som e luz, e alguém conseguiu agarrar-me e tirar-me dali; não lembro quem nem em que circunstância, porque isto viria a acontecer várias vezes nesse festival, no qual bebi aguinha e iced teas
- wailers ? não cancelaram e actuaram em paredes do coura? whatever... fui aos dois e, fosse qual fosse em que actuaram, adorei!, era o furor da rasta ao pincho!
- o dia memorável de blasted mechanism, que nesse ano devo ter visto aí umas cinco vezes, seguido de rufus wainwright que, por ter insultado os prévios, teve direito a ser apedrejado e a sair ao fim da sua primeira divagação ao piano com cigarro (e não consegui voltar a ouvi-lo)
- depois veio o david fonseca, e o rapaz até é simpático, mas a musiquinha era tão em diminutivos e com tanta calminha, depois de algazarra por o ruforão ter sido posto fora, que eu entrei em hipotermia; novamente, alguém pegou em mim e fui entregue à tenda dos casacos, onde a vendedora me convenceu a vestir e despir vários casacos até mudar de cor (e aí já me recordo de pensar novamente) - nota: se os meus primos lindos virem este relato, é favor que não levem nada à letra, que há muito tempo que tenho a mania de poetizar a narrativa com hiper-realismos (momento cromo) e o mais que podem tirar é o exemplo do que não fazer (e eu ia muito vestidinha, aquele minho é que me transtornou de todo...)
- os melvins partiram tudo e tocaram com pouca roupa e aventais; tricky ia jurar que vi em paredes do coura, mas de qualquer modo nunca esquecerei a quantidade de fumo que lhe saía do tronco, curvado como se lhe pressionassem o peito, e a interpretar com toda a força possível
- e tomahawk... era o que mais esperava. pelo mike patton, que me insultou por ter tirado muitas fotos com medo que nenhuma saísse decente (e não saiu nenhuma, efectivamente), na altura em que me aplicava a sério e ficava tipo na primeira fila.

e agora vou rever faith no more, depois do sudoeste 2009 em que toda a loicinha foi partida aos cacos e o senhor, em risco de electrocussão, ameaçou engolir o microfone... e skunk anunsie... e xx... e pearl jam... e banhart... e voltar brevemente a deftones, e definitivamente conhecer muito mais!

é um momento deste verão, que já não se chama férias como há uns tempos atrás, e que me faz recordar um certo estado de barriga ansiosa pelo salto seguinte. estilo muitas coisas que mexiam a barriga e depois davam para muito caminhar...

partilhei :) acho que nunca tinha contado ao certo esta estória

*

post scriptum - foi com a intenção de o revelar que comecei a escrever, e ia esquecendo... um dia do vilar 2003 voltei à tenda, sem luzes (que já tinham fugido), guiada pelo cheirinho e rumor da vaca que eu sabia que dormia atrás de mim. lá encontrei a tenda. além de ser possível fazer uma certa piscininha lá dentro porque sim (a água entrava por cima, baixo, lados, etc.), a "porta" estava aberta. tinham-me levado a geleira. ficou a máquina fotográfica, o dinheiro que tinha na tenda, tudo, só levaram a geleira, presumo que por fome. lá dentro seguiu a última lata de atum, que não cheguei a comer - e tornei-me vegetariana ;) há 7 anos, e as previsões eram de 3 meses!

*

quinta-feira, junho 24, 2010

candidaturas até 23 de Julho

Mestrado em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos


Para mais informações sobre o curso e actividades que decorreram no passado ano lectivo consulte a Página Web do mestrado

http://www.fcsh.unl.pt/cursos/MA/ecologia-humana

sexta-feira, março 19, 2010

isto é um jogo de pistas...

pista número 1:

A quem pai poderia ser de um
mas por início lhe calhou em três.
Aumenta em quatro com a ajuda mais bela
e dizei, amigos, quem menciono desta vez?

quem se identificar deverá procurar a imagem acima


pista número 2:

Após sonhos, viagens e colo manso,
surge em alguns quilos um peso de Verão.
Pé ante pé, que a crescer a vida se alcança,
e dizei, amigos, de quem falo então?


quem se identificar deverá procurar a imagem acima


quinta-feira, agosto 27, 2009

moça velhota e feliz


inês e diogo, praia de matosinhos, quase-porto, 2009




brancas não apagam o sorriso, não :)



cioè: ragazza vecchietta e felice, spiaggia di matosinhos quasi-porto, ed i capelli bianchi non cancellano il sorriso
.
(obrigada*)

segunda-feira, julho 20, 2009

parabéns

1 - sintra, hotel tivoli; 2 - sintra, quinta da regaleira; 3 - lisboa, do elevador de sta. justa

:)
*



quinta-feira, julho 09, 2009

hoje a vida é assim

"The 12 Tasks Of Asterix - The Place That Sends You Mad"

valha-me o asterix, a memória, a torre,... ufa*

sábado, junho 27, 2009

missing photo


porto - sunny shape
Inserito originariamente da rebelonya
para quando fico aqui, em vez de me perder nas escadarias :) vou tendo saudades... um beijo especial a todos os meus portuenses, que me perdoem por esta ausência mais longa*

sexta-feira, junho 12, 2009

estado das coisas




centro social da mouraria, 2009 - lisboa
.
bem sei que pouco tenho escrito, e muito pouco adaptado às línguas em que interagimos na blogosfera, no flickr e em coisas que tais. mas sinto-me com pouca energia virtual - costuma acontecer quando há demasiada realidade para gerir
.
fazendo rapidamente um levantamento no histórico do word - extensão máxima da realidade no meu mundo virtual - podemos encontrar:
a) construção de metrópoles e imigração na europa do sul (trabalho para avaliação no mestrado e submissão a outros horizontes)
b) ethnologue: languages of the world (reflexões sobre italiano e português, para contemplar, ao nível de proximidades culturais, no trabalho acima citado)
c) GT3: group productivity, general objectives and achievements (relatório FCT para o ano 2008 - trabalhinho)
.
e de resto é lisboa. e é porto. e é faro. e de novo outros espaços e figuras. e é um conjunto tão grande de coisas que passeiam nas minhas redes mentais associativas, que nem consigo dormir. por isso fico cansada e o resto ainda custa mais. mas hoje há santo antónio
!
o abraço tem de se tornar mais longo, apesar do braço cansado
.

sábado, maio 23, 2009

depende da luz




todas as noites são noites de estreia - trip
encenação de manuel neiva
fotos de margarida silva, 2005

mas se já aprendemos a criar beleza, cada prova servirá apenas para o demonstrar. não há que ter medo, continua a existir demasiado oceano e um excedente de motivos para ir sorrindo. apesar dos outros motivos. a beleza supera isto tudo, a prova é volátil, o segredo de criar é o que te distingue
.

domingo, maio 10, 2009

ndengue

quando uma criança olha uma árvore caída, aparece um vermelhão sob os olhos e torna-se urgente um era uma vez. essa uma criança, de grandeza tal que se esconde entre os ramos, pode sonhar

era uma vez uma folha que voava muito. fazia muitas cócegas a um menino, ou pelo menos ele ria-se muito sempre que via a folha voar. enquanto foi pequenino, continuou a rir - mas quando cresceu mais que dois ramos, fez birra por não conseguir voar com a folha. não aguentou o vermelhão e chorou mesmo a sério. queria muito voar. a folha não lhe sussurrou o segredo e, num momento de maior mágoa, arrancou-a. aí fez silêncio. não percebeu se a árvore chorou, mas pegou na folha e escreveu

as poucas palavras que sei nunca cabem em lado nenhum.

outros meninos estavam escondidos entre ramos de outras árvores. foram àquela árvore e cada um arrancou a folha que melhor voava aos seus olhos. só que não sabiam escrever como o outro menino. fizeram uns riscos, como fazem nos desenhos japoneses, e juntaram as folhas todas. agora tinham folhas a esconder as mãos pequeninas, mas as cócegas eram diferentes; se as folhas voassem iriam para mais longe, talvez longe dos olhos. porém, quando as juntaram, criaram outra estória.

depois a árvore caiu.



centro galego de arte contemporánea, santiago 2009
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segunda-feira, maio 04, 2009

Boal morreu.

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houvera escrito, proferido e praticado palavras incontornáveis para o crescimento da humanidade em participação. a doença traiu uma vida grande. ali onde o palco é alterável pelo público que o alimenta, onde a acção é crítica e ainda se crê (em arte, em transformação, em desopressão, na capacidade de acção).

que nos sopre algumas ideias em dias de maior acinzentado. precisamos de um senhor assim, mas ele morreu.

como um teatro vivo

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domingo, abril 26, 2009

em tempos assim


saudade da viagem enquanto medo da viagem
receio de perder pelo caminho longo com o qual se ameaça a estrutura
quase-pânico no pensamento de afastar a alma do que se ama

fotos - a coruña, 2009

quarta-feira, abril 08, 2009

paisagem urbana - paesaggio urbano - urban landscape

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o que é uma paisagem urbana? um ponto de vista sobre ela - uma foto, por exemplo. preciso de pontos de reflexão num trabalho e gostaria da ajuda via blog :) obrigada a todas e todos

cos'è un paesaggio urbano? un punto di vista su questo - una foto, ad esempio. ho bisogno di punti di riflessione per una tesina, mi piacerebbe avere un aiutto via blog :) ringrazio tutti quanti

what's an urban landscape? a point of view on this topic - a photo, for example. i need some tips for thought in order to develop a work, would appreciate any help via blog :) thank you all

sexta-feira, abril 03, 2009

domingo, março 29, 2009

hoje é dia de picnic veggie


veggie picnic, porto
Inserito originariamente da rebelonya
e de subir às árvores, e de o Pedrinho mostrar novas acrobacias. também pode ser o dia em que faço ver a este mundo pequenino que tenho organizado centenas de fotos (esta é de 2005), reduzido a exposição para dezenas e ficado com o estômago dúbio. acho que dá para ver ao seguir o meu link do flickr na parte por baixo da foto em que diz "rebelonya" :)

boa primavera a tod@s

*

quinta-feira, março 26, 2009

dizia que nunca soubera fazer poesia, era ela que o encontrava, assim ao acaso

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disse-me ontem Agostinho da Silva, em conversa vadia, que devemos criticar o que admiramos, mas entregar-nos arrebatadoramente ao que amamos. disse ainda que portugal tem uma coisa a ensinar ao mundo, e essa coisa é o modo de contemplação e fruição da beleza. que os nossos navegadores navegaram por emaravilhamento, que os alunos não devem pensar sob risco de não acolherem o que a vidas lhes tem para oferecer e que a saudade só afecta quem perdeu. o ságio recusa estatuto de guru. depois veio a série do psiquiatra e não tive remédio senão adormecer no sofá, embrulhada no calor.


diceva che non aveva mai imparato a fare poesia, era lei che lo trovava, cosi per caso

mi ha detto ieri Agostinho da Silva, in una chiacheratta vagabonda, che dobbiamo criticare quello che ammiriamo, ma consegnarsi in modo incantevole a quello che amiamo. ha detto pure che portogallo ha una cosa da insegnare al mondo, e quella cosa è il modo di contemplazione e godimento della bellezza. che i nostri navegatori navegavano per "imeravigliamento", che gli studenti non devono pensare sotto il rischio di non acogliere quel che la vita li può offrire e che la saudade incide quelli che hanno perso. il saggio rifiuta lo status di guru. poi è venuta la serie televisiva del psichiatra e non ho potuto fare altro che addormentarmi sul divano, avvolta nel caldo.

quinta-feira, março 05, 2009

post 101

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to cancel a post with conscience

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keeping the ignavia sul divano
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falling asleep with carlo collodi, boris vian or simply with some plane's backsound

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watching films like chungking express and milk

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getting older and looking at white hair despite those black and white photos of a past loneliness

.
recreating the loneliness

.
and trying to get asleep once more
.

domingo, fevereiro 15, 2009

little pop




original photo by Professora Cristina, anos 90





in my mind she runs
in silence don't walk away
no one's home
waiting for tomorrow
everybody else's train
lays me down
walking on ahead
with golden brown
sweet child of
my ilusion
with my mind she runs
jumping someone else's train
can't you help me?
throughout the night


composition from the musical selection of Flavio, 13th feb.2009 afternoon

convite - invitazione

neste dia vos convido para algo que estava disperso por algumas gavetas.

in questo giorno vi invito per qualcosa che si era dispersa tra qualche cassetto.


http://personagem-invisivel.blogspot.com/



*

domingo, fevereiro 01, 2009

aos amigos que vivem perto do arco-íris



sonho colorido de um pintor

sinhô Tom Zé



Meu sol eu pintei de verde
que serve pra enxugar lágrimas
se um dia precisar.
A dor e a tristeza
fiz virar felicidade
aproveitei a tinta
e pintei sinceridade.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

vulnerabilidade







[Nan Goldin]


minha parca resposta



e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia






[E ao anoitecer, Al Berto]

sexta-feira, dezembro 19, 2008

estranheza

foto de Akio Takemoto, 2007



já fui





sob o olhar de quem via assim as coisas. nem sei onde pus aquelas calças e saias e coisas largas, sei do colar e não o uso. não sei onde é que me arrumei, mas deve ter sido a primeira vez. como não costumo ser organizada, não sei onde fui parar. por enquanto estou pelo centro-sul no país mais ocidental da europa, diz a bússula. naquele então estava no centro-norte do país bota. e era uma lomo fish eye, e eu levei um pin da embaixada lomográfica do bairro alto. as coisas pareciam todas mais agressivas e vivas. eu escrevia menos e vivia mais. agora vivo menos mas também não escrevo muito. venha estalo no meio da cara.





não sei o que fiz ao que era de mim. se calhar vendi e tapei com boas-figuras. tenho saudades de andar a chorar e a dançar mais no meio da rua, de ter comentários mais desagradáveis que o suportável e de sentir a consciência eminentemente mais tranquila porque mais exposta.

deve ter sido isso, vesti-me. há quem diga que cresci

sábado, novembro 01, 2008

existência pendular

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truque de nunca pertencer. no caminho, destruição desconstruída. pedaços. ervas mortas e coisas verdes e amarelas. não pertencer aqui ou ali, continuar caminho. enxugar a humidade, vestir e despir lã, olhar nos olhos, continuar caminho. não ser isto nem aquilo, ver o cavalo estático em pasto, não tentar acelerar o tempo ou espaço, romper apatias, continuar caminho.

ultrapassar o transcendente. ser pendular. domínios de existência.

tenho o âmago susceptível. já posso escrever.

segunda-feira, outubro 13, 2008

sistema digestivo

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eu já engoli sofregamente o coração, a escada, o mundo, a viagem, a ilha, o eclipse, as rosas com o cavalo e, sobretudo, a Zoe e o Anjo... que delícia, obrigada
disse eu

ainda bem que pude contribuir para uma refeição tão poética
disseste tu

desta vez engoli o livro da dança, mastigo a reza na era da técnica e tento saborear mais devagar a perna esquerda de paris. tinha de o conhecer melhor
disse eu

e com que velocidade o mastigas... eu estou na fase de por vezes fazer dieta dele
disseste tu

certos livros devem ser degustados, outros engolidos, e alguns pouco mastigados e digeridos
disse ele

já a fazer leituras-encontros :)
respondeste

domingo, outubro 12, 2008

urgência

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Amigo, perdi o caminho. Eco: O caminho prossegue.
Há outro caminho? Eco: O caminho é só um.
Tenho de reconstituir o trilho. Eco: Está perdido e desapareceu.
Para trás, tenho de caminhar para trás! Eco: Nenhum vai lá ter, nenhum.
Então farei daqui o meu lugar, Eco: (A estrada continua),
Permanecerei imóvel e fixarei o meu rosto, Eco: (A estrada avança),
Ficarei aqui, ficarei para sempre. Eco: Nenhum se fica por aqui, nenhum.
Não consigo encontrar o caminho. Eco: O caminho prossegue.
Oh, os lugares por que passei! Eco: Essa viagem acabou.
E o que virá por fim? Eco: A estrada prossegue.



Edwin Muir (1887-1959, Reino Unido)

trad. Cecília Rego Pinheiro, in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

segunda-feira, setembro 22, 2008

cedo (do verbo ceder)

que grande... para mais, ver o cd "Canção ao lado" de Deolinda.

se for assim, que haja fado

(faltam nesta montagem algumas das músicas mais bonitas. é procurar...)

sexta-feira, setembro 12, 2008

sexta-feira, setembro 05, 2008

palavras de agosto, palavra de verão

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tempos parados em estações. tempos que se movem sem destino preciso, invenção de palavras. tempos de morte aventureira para se renascer. tempos de vida. tempos de necessidade. natureza de tempos amáveis e agrestes. conchas repletas de tempos, sons e espaços. tempos e melodia e de melancolia.
tempos e tempos e tempos.

partida e chegadas. nunca somos um só, por mais que sejam as palavras atrofiadas ou ditas. cruzamentos incansáveis de surpresa, beleza e beatitude de paisagens que nos ignoram e superam. que bela ignorança beata. que beatitude mais despercebida. carris incólumes, quentes, portadores. belos viajantes, infindos sonhos, vontade de partir e de ficar. medo de atravessar o que se enfrenta. medo de partir e de perder. confiança no invisível que é mais objecto que o próprio corpo. dança e acrobatas de aromas e outros sentidos. dança, que o corpo não pode parar. colares ternurentos, memória e percurso. andar em frente, não às arrecuas. encher a vida - ela é nossa. vivê-la soberanamente em cada rua por decalcar. viver sem mágoa, inventar coragem e criar caminho. avançar, deslumbrar, (re)partir, enfrentar, caminhar, caminhar, caminhar.

sigo as sombras e os reflexos, depois espero. no tempo de espera, invento-me. dou sentido à ocorrência. brotam termos que vão definindo cada acção, e o outro vê-me e reflecte. reflectindo, sigo em frente e volto a parar. procuro a direcção do meu andar. paragem necessária para a invenção do novo tempo. tempo de espera, tempo de invenção, tempo de mim mesma. sou o tempo que percorro.

segunda-feira, agosto 25, 2008

timbre

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não, acho que estás te fazendo de tonta
te dei meus olhos p'ra tomares conta
agora conta como hei-de partir


(dizem Chico Buarque, Tom Jobim e Telma Costa em "Eu te amo")

quinta-feira, julho 10, 2008

morre uma borbulha e nasce outra do outro lado

às vezes. ou faz de conta.


momento solitário de necessidade de mimo. alguma coisa morre, ou o eterno sobrepõe o objecto?



até amanhã*

terça-feira, julho 01, 2008

avós

foi escrito para vós. a pensar na vossa casa, com a minha rude tendência de juntar palavras. com tanto que sinto.



I.
O que enche o inverno frio são, sem dúvida, os teus olhos.

É frio de casas incólumes,
de ventos que partem paredes
e afastam palavras.

Sombrio como a noite que se põe sem lua,
descrente nos restantes astros
e de fracassos somados ao abandono das ruas.

Mas com os teus olhos
crias o mundo em que me apaixono.

Nas tuas pupilas descanso,
meu colo meigo,
e na íris desperta
acordo cada sentido meu.

Fitas o mundo e brilhas,
no reflexo dos meus olhos,
para toda a pureza de um novo dia.

E eu, de mãos vazias,
espero o reflexo do teu olhar
no meu
para poder tocar a vida que,
sem ti,
não existiria.


II.
Inventam-se, a cada dia, as pessoas que se amam.

Ainda que o sol não seja o mesmo
nem o mar
nem as andorinhas
que, uma vez por ano, procuram aquela janela.

Ainda que tudo mude
o amor não pode ser mudo
e reinventa quem se ama
em cada palavra pensada.

E, quando a palavra não surge,
inventa ainda o silêncio
(um silêncio mais doce
que uma palavra em vão,
o silêncio do gesto
e do abraço descoberto).

Sai-se do aperto,
da solidão,
e a pessoa mais a pessoa
inventam uma nova escala.

É assim que,
quando o amor fala,
se descobre a imensidão.

sexta-feira, junho 27, 2008

aos meninos grandes

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Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.


(disse Eugénio de Andrade em Não quero, não)


um beijo enorme a estes grandes *

segunda-feira, junho 09, 2008

poesia do prosaico

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I.

É íntimo, o mundo em que te sento. Tão íntimo quanto o meu corpo nu. Vestes-me algumas linhas e empurras para ela o meu pescoço. Como se o cabelo não existisse. E ela, molenga, aceita-me e recua. Estancam os meus olhos nos acumuladores de palavras. Palavras limpas e palavras sujas, presumo. Todas juntas, ignorando o meu sono.

Sento a toalha na cama, ela veste um mínimo de subtileza e conduz-me à almofada. Frente à cama, arquivos. Palavra de sono.


II.

Esbranquiçada e torta por todo. Quase-rebola e vê o mundo quase-morto. Só precisa de água e luz e de perder o esquecimento. Criar memória e colá-la às coisas. Para haver coisas com memória e menos mortas. Depois, quando rebola torta, descobre a vida.

Estanque, a bola de trapos. Ignora a cola que aponta a planta amurchada. Falta-lhe água. Falta-nos perder o esquecimento. Nunca me lembro.


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sexta-feira, abril 25, 2008

ainda espero, que o tempo faz-se lento

mas adoro a voz desta senhora



Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia Mello Breyner Andresen

sábado, abril 12, 2008

la mort pour les rêves

Nous aurons des lits pleins d'odeurs légères,
Des divans profonds comme des tombeaux,
Et d'étranges fleurs sur des étagères,
Ecloses pour nous sous des cieux plus beaux.

Usant à l'envi leurs chaleurs dernières,
Nos deux coeurs seront deux vastes flambeaux,
Qui réfléchiront leurs doubles lumières
Dans nos deux esprits, ces miroirs jumeaux.

Un soir fait de rose et de bleu mystique,
Nous échangerons un éclair unique,
Comme un long sanglot, tout chargé d'adieux ;

Et plus tard un Ange, entr'ouvrant les portes,
Viendra ranimer, fidèle et joyeux,
Les miroirs ternis et les flammes mortes.

La Mort des Amants, in Les Fleurs du Mal,
Charles Baudelaire
odio-distruzzione a Marzabotto: la mort profonde
(foto di Luglio 2007)

aspetto il sogno, credo che possa esistere... alla fin fine. a volte si deve sparire per poi rinascere.

abbiamo diritto a non essere morti, diceva I. (5 anni). aveva ragione. voglio imparare dacappo come si vive e come si sogna *

quarta-feira, abril 02, 2008

dia deles

eles são os livros para a infância e um dos senhores que mais nisso pensou, que faria hoje 203 anos_loro sono i libbri per l'infanzia e uno dei signori che ne ha più pensato, il cui farebbe oggi 203 anni



Podes mostrar o livro a quem quiseres, isto é, a pessoas com olhos doces e que sejam amigáveis, mas se vem um cavalo do inferno... Então fecha o livro ilustrado do padrinho.



O livro ilustrado do padrinho (1868) Hans Christian Andersen

sexta-feira, março 21, 2008

metáfora de equinócio

primavera tem olhos semicerrados e procura nas nuvens um rasgo de sol. pede dias maiores e vive de flores assim, num céu amarelo.




p aredes rasgadas
a brem caminho ao sol.
p oentes ou nórdicas ventanias
o uvem cada semente
i nsensata
l avrando melancolias novas,
a rrancadas ao negrume da mata.

d oem-se nascentes
a mores...

p ousam,
r amo após raiz,
i nsectos e aves triunfantes.
m oem a tristeza,
a nunciam a natureza petiz
v era crua manifestante.
e ra uma vez,
r aptada Perséfone ou estação se escolha,
a primavera da papoila.

sábado, fevereiro 16, 2008

solidão, diz armindo rodrigues

assim:

Na devoradora agonia
desta aventura de estar só,
nuvem que passas,
inutilmente procuro
o convívio da tua sombra.
Calam-se até na memória
o vento e as fontes.
As estradas não conduzem
de parte nenhuma para nenhuma parte.
Parou o sol.
Esvaziou-se o espaço.
Só tu,
subterraneamente,
em mim esvoaças, esperança,
minha ave de entranhas.



giorno di memoria vietata. anche di impassibile presente. maledetta speranza, mi uccide e non mi fa far nula.

vou embora, que amanhã este não será o meu chão. desaparece, por tacos novos. só tenho fotografias e letras, mas juntaram-se de tal maneira que não me passa a tosse.

parece que engoli o pó todo que cá tenho arquivado.