primavera tem olhos semicerrados e procura nas nuvens um rasgo de sol. pede dias maiores e vive de flores assim, num céu amarelo.
p aredes rasgadas
a brem caminho ao sol.
p oentes ou nórdicas ventanias
o uvem cada semente
i nsensata
l avrando melancolias novas,
a rrancadas ao negrume da mata.
d oem-se nascentes
a mores...
p ousam,
r amo após raiz,
i nsectos e aves triunfantes.
m oem a tristeza,
a nunciam a natureza petiz
v era crua manifestante.
e ra uma vez,
r aptada Perséfone ou estação se escolha,
a primavera da papoila.
sexta-feira, março 21, 2008
sábado, fevereiro 16, 2008
solidão, diz armindo rodrigues
assim:
Na devoradora agonia
desta aventura de estar só,
nuvem que passas,
inutilmente procuro
o convívio da tua sombra.
Calam-se até na memória
o vento e as fontes.
As estradas não conduzem
de parte nenhuma para nenhuma parte.
Parou o sol.
Esvaziou-se o espaço.
Só tu,
subterraneamente,
em mim esvoaças, esperança,
minha ave de entranhas.
giorno di memoria vietata. anche di impassibile presente. maledetta speranza, mi uccide e non mi fa far nula.
vou embora, que amanhã este não será o meu chão. desaparece, por tacos novos. só tenho fotografias e letras, mas juntaram-se de tal maneira que não me passa a tosse.
parece que engoli o pó todo que cá tenho arquivado.
Na devoradora agonia
desta aventura de estar só,
nuvem que passas,
inutilmente procuro
o convívio da tua sombra.
Calam-se até na memória
o vento e as fontes.
As estradas não conduzem
de parte nenhuma para nenhuma parte.
Parou o sol.
Esvaziou-se o espaço.
Só tu,
subterraneamente,
em mim esvoaças, esperança,
minha ave de entranhas.
giorno di memoria vietata. anche di impassibile presente. maledetta speranza, mi uccide e non mi fa far nula.
vou embora, que amanhã este não será o meu chão. desaparece, por tacos novos. só tenho fotografias e letras, mas juntaram-se de tal maneira que não me passa a tosse.
parece que engoli o pó todo que cá tenho arquivado.
terça-feira, fevereiro 05, 2008
domingo, fevereiro 03, 2008
someone might wait
.
.
(as Tom Waits once sang)
.
.
take me home you silly girl
put your arms around me
take me home you silly girl
all the world is not round without you
i'm so sorry that i broke your heart
please don't leave my side
take me home you silly girl
'cause i'm still in love with you
.
.
.
(sem-casa, procura-tecto, lugar-nenhum. quero sair da distopia)
sábado, fevereiro 02, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
hipotetical 3rd dimension
quarta-feira, janeiro 23, 2008
ternurenhice
.
.
.
pausa (de semínima)
.
e antes de despedir, um momento de ternura para concretizar um dos princípios proposto no grupo de crianças: nunca se recusa um abraço.
vem logo Sérgio Godinho à cabeça
são dois braços
são dois braços
servem p'ra dar um abraço
assim como quatro braços
servem p'ra dar dois abraços
e assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
para os abraços
.
.
pausa (de semínima)
.
e antes de despedir, um momento de ternura para concretizar um dos princípios proposto no grupo de crianças: nunca se recusa um abraço.
vem logo Sérgio Godinho à cabeça
são dois braços
são dois braços
servem p'ra dar um abraço
assim como quatro braços
servem p'ra dar dois abraços
e assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
para os abraços
terça-feira, janeiro 15, 2008
a duas senhoras
porque...
uma nasceu no meu dia de anos, ainda que quase 100 anos antes, e escreveu
Nenhum olhar, fosse de um ser humano, de uma fera enjaulada ou de um animal de estimação, havia contemplado Mrs. Lanier quando ela não estava melancólica. Ela dedicava-se à melancolia, como os artistas menores às palavras e à tinta e ao mármore.
(no Coração de Manteiga, um dos seus contos)
uma nasceu no meu dia de anos, ainda que quase 100 anos antes, e escreveu
Nenhum olhar, fosse de um ser humano, de uma fera enjaulada ou de um animal de estimação, havia contemplado Mrs. Lanier quando ela não estava melancólica. Ela dedicava-se à melancolia, como os artistas menores às palavras e à tinta e ao mármore.(no Coração de Manteiga, um dos seus contos)
a outra faleceu no ano em que nasci, e se tal não tivesse acontecido, teria completado no outro dia 100 anos. para além disso, disse
Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.
.
(penso que o disse no Segundo Sexo)
quinta-feira, janeiro 03, 2008
começo o ano com um adeus
*
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
*
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
*
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Um adeus português,
Alexandre O'Neill
*
segunda-feira, dezembro 31, 2007
tragicomédia pessoal
quinta-feira, dezembro 27, 2007
malinconia
vuoto del tutto.
barthes esqueceu-se deste termo. não é só passado, é presente sem resposta e falta de ar para o futuro em que não se acredita. passado sem gavetas fechadas, presente sem portas abertas. tempo em que toda/os pseudo-sorriem e quem resta não consegue responder a nenhuma expectativa. é preciso descentrar... é preciso dar atenção e não fugir com medo da consequência. é preciso viver de vez em quando e esconder o medo. é preciso viver o que é preciso sem o tomar como obrigação. seria bom viver autenticamente e representar menos. seria bom sentir que somos amado/as e não somente que frustramos.
malinconia frustrante.
um beijo de melhor ano. foi só o pai natal que morreu, não foi?
barthes esqueceu-se deste termo. não é só passado, é presente sem resposta e falta de ar para o futuro em que não se acredita. passado sem gavetas fechadas, presente sem portas abertas. tempo em que toda/os pseudo-sorriem e quem resta não consegue responder a nenhuma expectativa. é preciso descentrar... é preciso dar atenção e não fugir com medo da consequência. é preciso viver de vez em quando e esconder o medo. é preciso viver o que é preciso sem o tomar como obrigação. seria bom viver autenticamente e representar menos. seria bom sentir que somos amado/as e não somente que frustramos.
malinconia frustrante.
um beijo de melhor ano. foi só o pai natal que morreu, não foi?
terça-feira, dezembro 18, 2007
bem-vindo ao mundo, bebé!
domingo, dezembro 16, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
todoia

as melhores - margaridas brancas
há quem conheça a história, mas as palavras têm sido escassas.
um olá de todoia para aqueles/as que não vêm as coisas nos mesmos nomes, ou espaços, ou tempos, dos/as outros/as.
todoia era o que um eu cá dentro chamava às flores. penso que as tratei por esse nome até entrar na escola. quase todas as palavras tinham sentido, sobretudo se cantadas, mas flor não. não era, sequer, real. todoia.
estou a deixar de conseguir contar histórias e estórias, por isso agradeço que alguém me faça acreditar novamente em todoias. aquelas que afagam com mansidão e aquecem o sangue mais dentro possível. as que existem, mais que a imagem que construímos delas.
.
.
.
non ce la faccio più a tradurre. credo che ho smesso di avere la capacità linguistica. se c'è qualche interesse in sapere quel che c'è scrito: 1. indovinare; 2. scrivere un commento e chiederlo; 3. aspettare...
sábado, dezembro 08, 2007
"o pai natal morreu"
foto: D., 5 dezembro 07
o pai natal morreu, disse a B.
porquê?, perguntámos
porque eu vi a notícia, disse à outra estagiária
e depois vi-o pendurado por aí, disse-me
parece que este ano o pai natal se enforcou. andam aí a imitá-lo, mas ele morreu.
sábia menina...
(insomma: il babbo natale è morto, mi dice una bambina)
terça-feira, novembro 27, 2007
cura
tenho uma mão pequenina
tu tens outra igual à minha
faço mimos, faço festas,
não bato mesmo a ninguém
e a tua,
é assim também?
ho una mano piccolina
hai un'altra uguale alla mia
faccio delle carezze, delle coccolate,
non faccio proprio male
e la tua
lo fa uguale?
poema na sabedoria diária da minha Educadora, traduzione da quel che sono stata capace... un momento troppo, demasiado, bello
segunda-feira, novembro 19, 2007
incoerência original
ou
sobre a incapacidade de reagirmos perante o desaparecimento
(escrevi isto a 4 de abril de 2006. hoje, 19 de novembro de 2007, acabou aquela família. e, no meu vazio, as palavras que me vestem são as mesmas. incoerência e vergonha.)
durante a flecha do tempo que nos permitiu conhecermo-nos em estreita articulação com todos os sistemas, habituamo-nos a construir uma imagem do mundo que vai sendo redefinida conforme as incoerências que aceitemos. indago-me sobre os limites perceptivos de tal conhecimento. e, sobretudo, sobre a capacidade de reacção à percepção da nossa própria incoerência.
a incoerência pode ser multiplamente interpretada. se para mim é incoerente defender o valor da vida e, na prática, promover práticas desumanas ao se defender que certo património cultural deve ser defendido e preservado por ser um legado do desenvolvimento humano, para outr@s pode ser incoerente que eu perca tempo a escrever estas palavras e não vá assegurando uma prática proactiva pela assimilação desse mesmo valor da vida. e, no seu âmago, provavelmente terão razão.
deparo-me agora, novamente, com o desaparecimento de quem promoveu a minha vida, se esforçou pela minha felicidade e cuja recompensa, imaginemos, foi a minha incapacidade de envolvimento sob o medo da transformação da imagem. o afastamento de situações problemáticas em seres que me influenciam desde as iniciais percepções da flecha do tempo, original da minha incoerência.
sobre a incapacidade de reagirmos perante o desaparecimento
(escrevi isto a 4 de abril de 2006. hoje, 19 de novembro de 2007, acabou aquela família. e, no meu vazio, as palavras que me vestem são as mesmas. incoerência e vergonha.)
durante a flecha do tempo que nos permitiu conhecermo-nos em estreita articulação com todos os sistemas, habituamo-nos a construir uma imagem do mundo que vai sendo redefinida conforme as incoerências que aceitemos. indago-me sobre os limites perceptivos de tal conhecimento. e, sobretudo, sobre a capacidade de reacção à percepção da nossa própria incoerência.
a incoerência pode ser multiplamente interpretada. se para mim é incoerente defender o valor da vida e, na prática, promover práticas desumanas ao se defender que certo património cultural deve ser defendido e preservado por ser um legado do desenvolvimento humano, para outr@s pode ser incoerente que eu perca tempo a escrever estas palavras e não vá assegurando uma prática proactiva pela assimilação desse mesmo valor da vida. e, no seu âmago, provavelmente terão razão.
deparo-me agora, novamente, com o desaparecimento de quem promoveu a minha vida, se esforçou pela minha felicidade e cuja recompensa, imaginemos, foi a minha incapacidade de envolvimento sob o medo da transformação da imagem. o afastamento de situações problemáticas em seres que me influenciam desde as iniciais percepções da flecha do tempo, original da minha incoerência.
segunda-feira, novembro 05, 2007
sábado, novembro 03, 2007
nina nana
Berrogüetto-Cantos de Monzo
quel che cantavo ai bambini per addormentarci. quel che canto adesso
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