segunda-feira, outubro 31, 2011

Dia 11: Livro favorito


Palavras "abensonhadas" @ Sintra, 2011

Roubo o termo ao nosso querido Mia Couto. Será assim tão possível dizer qual o nosso livro favorito quando o nosso imaginário está repleto de livros? Não sei fazê-lo. Deixo-vos com o meu doce de cabeceira, minha companheira desde a infância, Sophia. Já a tive marcada em várias paredes, no decorrer dos meus quartos. Neste livro, Ela diz assim:

"A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras"

"Novembro" (IV Dual) in Geografia

domingo, outubro 30, 2011

Dia 10: No meu jardim


No meu jardim @ Sintra, 2011

Menina Mafalda, vou partilhando uma ou outra foto repetida do FB, já que o dote fotográfico é pequenino mas acho que também deves ir conhecendo este meu "novo" universo! E falo directamente para ti porque és a maior interlocutora deste blog nestes últimos tempos :) Beijinhos meus e dos aristogatos-vira-latas que se passeiam no nosso quintal!

sexta-feira, outubro 28, 2011

Dia 9: Longa exposição


Sintra lumina, 2011

Não é, amigos, não é uma longa exposição. Mas nós queríamos que fosse :) Penso que a foto não seja minha, mas sim do Diogo. Partilho convosco um bocadinho de um Paço iluminado *

sexta-feira, setembro 23, 2011

Dia 8: Ao fim da tarde


Quase-Porto @ Matosinhos, 2009

Esta já era conhecida aqui no blog, mas tinha de repetir... É um fim de tarde insubstituível, aquele em que estava rente ao meu mar da primeira vez que o Diogo me acompanhou ao Porto :) *

quinta-feira, setembro 15, 2011

Dia 3: A minha cidade


O meu Porto, 2009

Ainda procurei outras imagens, para não voltar a repetir, mas parece que só aqui captei o meu Porto... Aquele que me falta, aquele em que me perco, onde encontro os meus amigos e onde me acolhem os braços mais ternos da família. É esta a sua forma, algo fortificada, com passagens inseguras, com cores estranhadas pela neblina, aquele meu Porto que limpa as suas lágrimas nas margens do Douro.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Dia 1: Auto-retrato

Self-portrait @ Modena, 2006




Vou inspirar-me na Inês Meireles (via FB) e na Mafalda Barroca (blog Mundo ao Contrário) e responder ao desafio fotográfico... Sem levar a peito o seguimento dos dias, que duvido conseguir cumprir nos momentos que se avizinham :) A quem mais queira fazê-lo, ou apenas passear pela minha parca memória fotográfica, bem-vindo/a!

DIA 1 – AUTO-RETRATO
DIA 2 – MANHÃ DE DOMINGO
DIA 3 – A MINHA CIDADE
DIA 4 – PEQUENA ALEGRIA DO DIA
DIA 5 – O MEU PLACARD
DIA 6 – SAUDADE
DIA 7 – ALGO COR-DE-ROSA
DIA 8 – AO FIM DA TARDE
DIA 9 – LONGA EXPOSIÇÃO
DIA 10 – NO MEU JARDIM
DIA 11 – LIVRO FAVORITO
DIA 12 – NOSTALGIA
DIA 13 – VIAGEM
DIA 14 – INDISPENSÁVEL
DIA 15 – ÀS 14H
DIA 16 – MAU HÁBITO
DIA 17 – PROEZA
DIA 18 – NO MEU PRATO
DIA 19 – SORRISO
DIA 20 – MEMÓRIA DE INFÂNCIA
DIA 21 – RECONFORTANTE
DIA 22 – NOSTALGIA
DIA 23 – FAMÍLIA
DIA 24 – NA T.V.
DIA 25 – GUILTY PLEASURE
DIA 26 – TRADIÇÃO
DIA 27 – ALGO VERMELHO
DIA 28 – A MINHA AGENDA
DIA 29 – NOVIDADE
DIA 30 – A PRETO E BRANCO

terça-feira, junho 28, 2011

um bocadinho de outra coisa

E porque desta vez ousarei traduzir o texto que mais fez sentido ao final do dia

"Deus sabe como amo a vida.
O vento toca nas margens e surge um novo dia,
Não posso pedir mais.

Quando o sino do tempo sopra no meu coração
E eu consegui viver um dia melhor...
Bem, ninguém mais travou esta minha batalha!

E os momentos dois quais tanto gosto,
Os lugares de amor e mistério,
Posso estar lá em qualquer momento.

Oh mistérios do amor
Onde a guerra perde lugar -
- Eu estarei lá em qualquer momento."

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God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime


Mysteries, Beth Gibbons & Rustin Man

quinta-feira, junho 02, 2011

se a língua do coração nos fizer chorar

É uma língua, nada mais que isso. Permite-nos comunicar com quem connosco partilha um conjunto de regras descritas no seu código linguístico. Se correr bem, fazemo-nos entender; caso contrário, há que rezar por uma saída cómica da situação.

Quando é do coração já vem viciada. Ao código soma-se um posto, algures do lado esquerdo do corpo, e por ser do corpo já vem remexida de entranhas e sentires. O que dantes implicava dois corpos próximos, hoje nem tanto; podem ser simplesmente dois corpos imaginados. Um que imagina o outro, tem de o imaginar porque não o vê (não vale imaginar porque não gosta do que vê - isso cai fora da língua do coração, não respeita a sua deontologia).

Quando ela fala (a língua do coração, entenda-se) expõe de tal modo a alma que esta vem caindo pelos olhos. Creio ser mesmo um factor de sobre-exposição. Estilo escaldão linguístico, de tão emotivo. A água acalma por onde passa, por isso a língua do coração pede a sua presença refrescante. Outras vezes pede-lhe que afogue, porque as palavras já não devem sair com vida. Ao se tornarem um problema, como em qualquer outro sistema ecológico, arranja-se maneira de responder. Qual frivolidade animal, que se afogue a palavra dura.

Se esta língua nos faz chorar muitas vezes... Pois. Não creio que compense desistir dela. É capaz de ser das únicas que nos move mesmo desde a essência. É a língua das nossas primeiras palavras (da minha todóia, por exemplo, que ainda hoje continua a ser o reflexo da calma em mim produzida pelas flores), dos nossos primeiros, intermédios e últimos amores, das nossas discussões entre o eu1 e o eu2 sobre dilemas que dilaceram o nosso coração.

É também aquela língua que não esquecemos. A amnésia pode quebrar a memória do evento, mas não da forma como o comunicamos. Onde quer que estivermos - mesmo a milhares de quilómetros de distância do nosso húmus mais querido - conseguimos soletrar cada palavra proferida na língua do coração. E nunca o fazemos de modo errado. É uma língua mesmo nossa, aprendida por cada célula do que nos preenche.

É a língua das entranhas, do húmus e das lágrimas (menos visceral um bocadinho). Um dia ensinaram-me que podia ver se tinha aprendido outra língua caso me apercebesse que começara a sonhar nesse registo. E foi verdade. Mas essa língua sonha de noite, não fala da nossa essência plena. A outra é que é nossa. Essa fala de dia e sonha de noite. A outra sonha e fala dia e noite.

É muito nossa. É deveras inteira. Não quero perdê-la, por mais que nos chore.




(com ligação hipertextual: http://bonnybubble.blogspot.com/2011/03/um-dia-destes.html)


segunda-feira, maio 30, 2011

chovem palavras tristes por aqui

e isso cansa-me um bocadinho.

Não sou capaz de me desfazer deste blog, tenho-o desde 2004. Mas é-me difícil ler as palavras duras e tristes que lhe costumo adicionar. Quem tem palavras bonitas e mais dóceis que possa emprestar?

:) boa semana *

segunda-feira, maio 23, 2011

por não sabermos o tempo da despedida

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Não, nem sempre sabemos quando nos havemos de despedir. Nem sempre atinamos com a pedra dura que não queremos que se nos coloque pela frente. Nem queremos acreditar que ela seja incontestavelmente esperada, mesmo quando nos oferecem um pré-aviso. E esse é um dos sinais da nossa beleza enquanto humanos - não queremos que o nosso mundo se despeça de nós, dignificamos a esperança pelo sorriso. Todos "os outros" tendem a perecer, mas os nossos dão sempre a volta. São os mais fortes, é incontestável. Nem sempre nos apercebemos de que a sua força também está na partida.

E ela parte-nos. Põe-nos aos bocadinhos sem percebermos como nem porquê, e encenamos a volta ao nosso teatro quotidiano. Encenamos a força que temos e que por momentos não nos encontra na plenitude. A beleza prevalece e a memória é tão incontestável quanto doce - e as palavras cómicas, meigas ou sentidas de quem parte continuam connosco até que possamos, noutro estado, voltar a rir ou discutir com quem nos habituou a fazê-lo.

Há quem opte por se ir embora da nossa vida. Também já o fizemos. Mas rói muito mais saber que alguns dos que mais guardamos se vão embora sem perceberem como convocar a despedida. Talvez nunca tenham ido mesmo e estejam em cada sorriso, em cada palavra e em cada alma cheia com que o nosso caminho nos vai presenteando.

Um mimo no coração de quem perdeu as palavras e os gestos presentes.
O resto há-de continuar cá dentro *

terça-feira, janeiro 25, 2011

no inverno as folhas desaparecem, não se limitam a secar.

creio que Sintra continuará a ser excepção. há sempre sombras verdes, por aqui. por exemplo, há uma parede de minha casa que já é mais verde que branca. o verde entra pelas paredes e tenta possuir o espaço. depois, fica atrapalhado, porque percebe que eu já fui mais verde e receptiva às folhas que voam, com ou sem palavras.

ando sem asas, muito ema - muito ave com asas que não voa. não há ânimo na sombra dos meus olhos. não há fuga que me dê a ilusão de o resgatar. só o colo terno amansa a fadiga e retempera os olhos, que brilham de novo quando olham com amor


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terça-feira, dezembro 28, 2010

que outras 50 primaveras criariam tamanho sorriso?

... um parabéns repenicado no dia das cinco décadas, mais um miminho para quem fez menos três há uns diazitos :)

obrigada por este sorriso que ilumina infinitamente o nosso caminho
*
nota: és a minha mãe preferida, ouviste?
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sábado, dezembro 11, 2010

mas a luz branca é terna,

tal como as noites brancas, esse raro universo russo meigo de ternuras. há sempre dias de mimo, para que nos queixamos?

um pequenino caos ocupou o espaço entre as paredes. tinha saudades, talvez. fazia parte de uma outra escala, e agora fico melhor.

a luz branca é terna. alguém inventou 20º C em Dezembro, alguém me evitou um frio amargo, alguém me permitiu ler palavras boas.

obrigada * de olhos ensonados, obrigada

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segunda-feira, novembro 29, 2010

olhos semicerrados de luz branca



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estou naquela fase em que olho para o meu "caderninho preto" e nenhuma palavra poética da minha parte pode ser encontrada.

que a fase passe.

ou melhor, que a poesia esteja em cada uma das vossas vidas

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segunda-feira, novembro 22, 2010

Talvez esteja em dia de ser ingrata...

... mas será que quem, do seu bom público, reivindica esta greve de tamanha proporção - 24 de Novembro - tem noção de que não serão os maravilhosos políticos a procurar uma maneira qualquer de inventar transporte para ir trabalhar? Esses têm transporte particular, pá. Com chauffer. Nem todos podem "grevar", já se aperceberam? Eu posso, mas também ninguém nota, porque sou das poucas sortudas sem horário fixo. Mas nem todos podem. Há quem tenha de inventar a porra do mundo para o conseguir. E será que os amigos grevistas apanham esta parte? So sorry, enquanto tivermos (entre outros) serviços de transporte colectivo sem concorrência, isto vai de mal a pior - não é só na greve, é em muitas coisas. Custa perceber como é que o povo se mexe na 4ªfeira. Nem serviços mínimos no Metro. Hora de ponta nos comboios é tudo o que existe. Poluam, que faz bem. Não têm carro? Tivessem!

Estou em dia de pouca compreensão, confesso. Costumo ser solidária nestes dias, mas no próximo não vou ser. E paciência para o facto de a bolsa de investigação por tabela FCT, tal como a que recebo, não ser actualizada há 10 anos, ou lá quantos anos forem. E paciência por não ter estabilidade contratual e nem me ser possível pedir um empréstimo. E etc. Porque diz-me a antiga convivência que somos todos muito precários e inflexíveis, sobretudo quando podemos ficar na cama a dormir até às 16h.

Damn. Que mau humor, este que afecta a portuense em Lisboa. Que mau humor, este que chega quando nos apercebemos que a vida não é mesmo cor-de-rosa e que o activismo foi/é só uma parte, não enche o prato. E etc. Que mau humor, este de nos apercebermos de que a vida não é só a parte do sonho, e que a nossa utopia tem limites hiper-tangíveis.

A mim, magoa. E não digo estas palavras da boca para fora. Nada disso.

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Nota - como convém nas críticas, deixo uma alternativa. Façam greve, claro que sim - toda a gente pode entrar nos transportes colectivos e nem uma pessoa pode pagar bilhete. Alguma acção poderia ter mais impacto (económico, entre outros) junto dos hiper-coisos patrões?


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