
até amanhã*

até amanhã*
aspetto il sogno, credo che possa esistere... alla fin fine. a volte si deve sparire per poi rinascere.
abbiamo diritto a non essere morti, diceva I. (5 anni). aveva ragione. voglio imparare dacappo come si vive e come si sogna *
Nenhum olhar, fosse de um ser humano, de uma fera enjaulada ou de um animal de estimação, havia contemplado Mrs. Lanier quando ela não estava melancólica. Ela dedicava-se à melancolia, como os artistas menores às palavras e à tinta e ao mármore.
Berrogüetto-Cantos de Monzo
quel che cantavo ai bambini per addormentarci. quel che canto adesso
o meu lugar, do outro lado. nunca teve número, mas deve ser ímpar
Svegliatevi...
Heróica, letra José Gomes Ferreira, música Fernando Lopes Graça
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Jackson C. Frank (original version)
nello stesso film di Gallo... però questo video non c'entra niente.
c'è un'altra bella versione, di Nick Drake.
come wonder with me love
come wonder with me
away from this sad world
come wonder with me
...
Jeff Alexander in Brown Bunny (a film by Vincent Gallo)
estou assim. sto cosi
que falta de cor, a minha vida
che mancanza di colore, la mia vita.
(bolle. come alcuni dicono - ferve)




a bologna que deixei - la bologna che ho lasciato
(in http://digilander.libero.it/capurromrc/0000bologna.html)




Paqui Morales, 38 anos, divorciada, sem filhos, caixeira de supermercado, ex-crente, ex-agnóstica e ex quase tudo o que quiserem. Agora posso dizer sem receio de me enganar que desperdicei a minha juventude com o homem inadequado. Mas limitei-me a fazer tudo aquilo para que estava programada. O liceu, os amigos, o namorado, o desemprego, o trabalho, o apartamentozinho, as cortinas do apartamentozinho, os móveis da cozinha do apartamentozinho, o casamento, a viagem de núpcias e o fim da história. A minha vida conjugal foi tão apaixonante como um tratado sobre os marsupiais. Noite após noite, besuntava-me com os cremes da eterna juventude. A seguir vestia a camisa de noite, sempre a mesma, mas cada vez mais curta, e deitava-me à espera que ele se pusesse em cima de mim. Mas ele já tinha adormecido no sofá.
Depois do divórcio tentei desforrar-me arrastando para a minha cama centenas de homens. Ao princípio teve a sua graça, mas um dia descobri que em cima de mim, a bufar contra a minha almofada, estava o mesmo tipo de que me tinha divorciado. Bem, de facto não era exactamente o mesmo, mas resfolegava da mesma maneira, por isso tirei-o de cima de mim e lancei-lhe: “Ó minha besta, não vês que eu não sou uma boneca insuflável? Preciso que falem comigo, que me amem, que me façam sentir que sou gente.” Não demorou nem dois minutos a pôr-se na alheta.
A minha vida tornou-se um calvário: solidão, incomunicação, pizzas congeladas… Até que, numa noite de insónias, encontrei o amor num chat porno. Fazia-se chamar Mosca, mas eu precisava com urgência de um homem diferente, e ao fim e ao cabo tínhamos entrado ambos naquele chat por mero interesse sociológico… “O meu nome é Rosa Branca.” “E como és?” “Culta, sonhadora, inconformista… E tu?” “Alto, bonito, nadador-salvador…” Começámos a falar de música, de cinema, de poesia, e a empatia foi imediata. O Mosca era tão educado, tão atencioso, tão interessante… Partilhámos a nossa torre de marfim, arredados do mundo, a falar de música, de cinema, de poesia, durante meses e meses, mas nunca de sexo. Até que, um belo dia, eu me fartei e disse-lhe: “Amo-te, coração. Preciso de te conhecer em carne e osso, de te tocar, de te morder, de fazer amor contigo desvairadamente.” “Sou casado.” “Não me importa!” “Sou calvo, baixinho e funcionário público.” “E que importância tem isso? Passaste no exame. Só quero saber quando e onde nos podemos encontrar.” “Vivo na Nova Zelândia”. Outra qualquer teria desistido, mas eu não. Eu pedi um empréstimo ao banco, meti-me num avião e aterrei na Nova Zelândia. Esperei durante seis horas com uma rosa branca na mão, para ele me reconhecer. Por fim, cravei os espinhos todos nos dedos. O Mosca nunca apareceu, e eu continuo a pagar o empréstimo.
A Rua do Inferno, de Antonio Onetti


