terça-feira, agosto 28, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
o depois

sexta-feira, agosto 17, 2007
tornata...

parece que sim, ao final de contas já voltei. e talvez volte a ter motivo para escrever aqui. por nada demais... porque parece-me que, aqui, volto ao nada demais.
até já *
a bologna que deixei - la bologna che ho lasciato
(in http://digilander.libero.it/capurromrc/0000bologna.html)
(ce la volete, la versione italiana? ho scritto: sembra di si, alla fin fine sono già tornata. e forse torno ad avere un motivo per scrivere qui. per niente in speciale... perche mi sembra che, qui, torno al niente in speciale. a tra pocco *)
quinta-feira, novembro 09, 2006
moving to bologna BO
viaggio in
http://rebolognya.blogspot.com
vi aspetto!
sábado, outubro 28, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
@ bologna


grazie, Gu!
Lost in cheap delirium
Searching the neon lights
I move carefully
Sink in the city aquarium
Sing in the key of night
As they're watching me
Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own
Wrapped in silent elegance
Beautifully broken down
As illusions burst
Too late to learn from experience
Too late to wonder how
To finish first
Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own
Won't you take me home ?...
home, Zero7
dura, la tua macanza...
sábado, julho 22, 2006
dia de acção internacional pelo líbano
Saturday July 22, 2006 has been declared "International day of action against Israeli aggression". We call on people all around the world to rise up on that day and be heard.
Please organize an action in your city or area on that day under the banner of the "International day of action against Israeli aggression". If you already have something planned for that day condemning Israel's actions or in support of the people of Palestine and Lebanon, please link it to the international action.
Each city / area is requested to appoint one coordinator (or more) and send us their email addresses to create a coordination list.
Please act now. There is no time to waste. Thank you.
em http://electronicintifada.net/v2/article5135.shtml
não consegui saber disto antes. infelizmente. é preciso fazer alguma coisa... e não sei o quê, nem como. mas precisamos de nos mover para este massacre parar.
por hoje, e a meio de um dia/noite de trabalho, só posso espalhar por aqui esta mensagem. como seres humanos, temos de agir e não continuar massivamente parados e passivos perante tanto ódio estúpido e desprezável
*
por um mundo sem violência
nota - ver também
http://mazenkerblog.blogspot.com
http://laureghorayeb.blogspot.com
...
segunda-feira, julho 17, 2006
paqui, pali...


Meditação transcendental… Deixo o espírito em branco para que as imagens apareçam por si… Bonitas, alegres, positivas… Procuro dentro de mim… No meu eu mais profundo… O meu espírito devia sentir-se liberto… Mas não… E que vejo eu nos confins da minha alma? Negro… Vejo tudo negro… Mas não é caso para desanimar… Ommmmmmmmmm…
Por fim, uma luz ao fundo do túnel! Uma luzinha que emerge do meu reservatório psicótico… Transforma-se numa luz deslumbrante, que avança implacavelmente… Invade-me um calor asfixiante… É um incêndio pavoroso! Oiço tiros, gritos, gemidos de dor… Vejo refugiados que fogem com a roupa que têm no corpo… Corpos decapitados… Aviões e abutres sobrevoando os cadáveres… Para trás, más vibrações! Ao largo, más sensações! Energia positiva, vinde a mim!
OMMMMMMMMMMMM…! Tenho a aura num estado miserável, carago!
idem
domingo, julho 02, 2006
rua do inferno
Paqui Morales, 38 anos, divorciada, sem filhos, caixeira de supermercado, ex-crente, ex-agnóstica e ex quase tudo o que quiserem. Agora posso dizer sem receio de me enganar que desperdicei a minha juventude com o homem inadequado. Mas limitei-me a fazer tudo aquilo para que estava programada. O liceu, os amigos, o namorado, o desemprego, o trabalho, o apartamentozinho, as cortinas do apartamentozinho, os móveis da cozinha do apartamentozinho, o casamento, a viagem de núpcias e o fim da história. A minha vida conjugal foi tão apaixonante como um tratado sobre os marsupiais. Noite após noite, besuntava-me com os cremes da eterna juventude. A seguir vestia a camisa de noite, sempre a mesma, mas cada vez mais curta, e deitava-me à espera que ele se pusesse em cima de mim. Mas ele já tinha adormecido no sofá.
Depois do divórcio tentei desforrar-me arrastando para a minha cama centenas de homens. Ao princípio teve a sua graça, mas um dia descobri que em cima de mim, a bufar contra a minha almofada, estava o mesmo tipo de que me tinha divorciado. Bem, de facto não era exactamente o mesmo, mas resfolegava da mesma maneira, por isso tirei-o de cima de mim e lancei-lhe: “Ó minha besta, não vês que eu não sou uma boneca insuflável? Preciso que falem comigo, que me amem, que me façam sentir que sou gente.” Não demorou nem dois minutos a pôr-se na alheta.
A minha vida tornou-se um calvário: solidão, incomunicação, pizzas congeladas… Até que, numa noite de insónias, encontrei o amor num chat porno. Fazia-se chamar Mosca, mas eu precisava com urgência de um homem diferente, e ao fim e ao cabo tínhamos entrado ambos naquele chat por mero interesse sociológico… “O meu nome é Rosa Branca.” “E como és?” “Culta, sonhadora, inconformista… E tu?” “Alto, bonito, nadador-salvador…” Começámos a falar de música, de cinema, de poesia, e a empatia foi imediata. O Mosca era tão educado, tão atencioso, tão interessante… Partilhámos a nossa torre de marfim, arredados do mundo, a falar de música, de cinema, de poesia, durante meses e meses, mas nunca de sexo. Até que, um belo dia, eu me fartei e disse-lhe: “Amo-te, coração. Preciso de te conhecer em carne e osso, de te tocar, de te morder, de fazer amor contigo desvairadamente.” “Sou casado.” “Não me importa!” “Sou calvo, baixinho e funcionário público.” “E que importância tem isso? Passaste no exame. Só quero saber quando e onde nos podemos encontrar.” “Vivo na Nova Zelândia”. Outra qualquer teria desistido, mas eu não. Eu pedi um empréstimo ao banco, meti-me num avião e aterrei na Nova Zelândia. Esperei durante seis horas com uma rosa branca na mão, para ele me reconhecer. Por fim, cravei os espinhos todos nos dedos. O Mosca nunca apareceu, e eu continuo a pagar o empréstimo.
A Rua do Inferno, de Antonio Onetti
terça-feira, fevereiro 14, 2006
feliz dia
há uma frase de rua: "um único verso seria uma nódoa no meu poema". peço desculpa, não me lembro do nome...
_________
faz de conta que não estamos no papel, mas numa espiral que, mediante o ângulo de que se observe, vai variando as suas tonalidades entre azul-cinzento, púrpura, negro e certos laivos mais quentes. se nos ausentássemos da nossa condição em espiral e, antes, a olhássemos de fora, poderíamos ver como o encarnado encobre os nossos corpos quando as linhas se tocam, ao voarmos. como essa cor advém dos aromas doces que partilhamos, delineados nas contracurvas que nos definem.
dentro do faz de conta temos um toque comum, um olhar comum, um sabor comum, uno na diversidade da pontuação gráfica e melódica que nos habita. sarrabiscas um mundo tão bonito quanto os teus dedos, mais bonito do que os meus olhos possam albergar.
mas são esses olhos que, agora, não te encontram. saímos do faz de conta. constatas que a nuvem da proibição se torna densa e densa e ainda mais densa, e deixamos de nos poder ver. agora choro, porque não te tenho nem posso estar em ti. agora não vejo cores, e esse cinzento que possivelmente nos habita a ambos não é translúcido e não deixa ver mais nada.
dói-me a barriga, os braços, as pernas, os olhos, o nariz, a boca, as mãos, o peito. falta-me cheirar-te, degustar-te, contemplar o belo que em ti reside e que nunca aprendi a definir. falta-me sentir-te e sentir-me em ti.
não sei como escrevo, a tua ausência esvazia-me. sou uma gota estática e não saio das ondas que batem incessantemente contra as rochas, não consigo.
a espiral esgana-me. as imagens consomem-me. a cor abandonou-me. só vejo reticências a esgotar o caminho que poderia seguir. a música chora connosco.
e fico a ver-te passar atrás do teu amor. seremos, talvez, demasiado encarnados para termos valor.
mas daqui a nada irei respirar-te. converso com a minha ausência e digo:
faz de conta... faz de conta que não estamos no papel, mas numa espiral que, mediante o ângulo de que se observe, vai variando as suas tonalidades entre azul-cinzento, púrpura, negro e certos laivos mais quentes. se nos ausentássemos da nossa condição em espiral e, antes, a olhássemos de fora, poderíamos ver como o encarnado encobre os nossos corpos quando as linhas se tocam, ao voarmos. como essa cor advém dos aromas doces que partilhamos, delineados nas contracurvas que nos definem.
dentro do faz de conta temos um toque comum, um olhar comum, um sabor comum, uno na diversidade da pontuação gráfica e melódica que nos habita. sarrabiscas um mundo tão bonito quanto os teus dedos, mais bonito do que os meus olhos possam albergar.
és uma prosa poética. sem ti as ruas não fazem sentido, as pautas não fazem sentido, as páginas não fazem sentido. enche a tua vida de metáforas, eufemismos, ternuras. serei um paradoxo, não peço mais espaço.
um único verso seria uma nódoa no teu poema. não quero sujar-te mais *
sábado, dezembro 31, 2005
na vespera de 2006
"hapiness isn't for tomorrow.
it's not hypothetical,
it starts here and now.
down with violence, egoism
and despair, stop pessimism.
let's pick ourselves up,
nature has given us extraordinary things.
it's not over yet, nothing's decided.
let's take advantage of the wonders
of this continent at last.
inteligently, in our own way,
at our own rythm
like responsible men proud
of their inheritance.
let's build the continent of our own children
and stop taking pity on ourselves.
Africa is also the joy of livings,
optimism, beauty, elegance,
grace, poetry, softness, the sun,
and nature.
let's be happy to be its sons,
and fight to build our happiness."
Salif Keita, Dezembro 2001 (capa do cd Moffou)
que 2006 seja, também através da nossa acção, um ano de beleza, paz e amor. que a luta por uma maior justiça não esmoreça, e que as pessoas sejam cada vez mais humanas, sem medo da imensidão dos seus sonhos e capacidade de mudança...
poemas de amor e utopia para tod@s *
segunda-feira, dezembro 05, 2005
homo bibliotecus complexus
És plen@ de secções livres ou demarcadas, de curvas sublimes da tua inteligência. O pó não te esconde, és pouco velh@ – e por mais que passeie em ti não encontro o regresso do labirinto da tua essência.
O teu perfume não é de mofo, mas sim daquela musicalidade de folhas ante e pospostas que voam pelo vento das tuas janelas, e daquela cor de lombadas encarnadas de todas as carnes possíveis, e daquela rugosidade ténue de que se constitui a tua macieza.
O sol põe-se, e acende-se uma vela para te iluminar em pouca escala. Vestes-te de sombras várias – monstros, princesas, átomos, galáxias – e vives num escuro escondido, esperando dinamicamente que te explore mais uns segundos.
A tua imponência transparece à luz da vela, mais que à luz do sol. A lua mal te alcança, com medo que a explores em demasia... E, com algum receio, expões o arquivo morto e as estantes por organizar, as listagens caóticas, paradoxais à tua estrutura aparente e permanentemente vertical.
É aí que me deito, surpresa pela complexidade que sempre presumi em ti.
É nesse luar que transito, receando que me possuas com a tua imensidão.
É nessa vela que circulo, tentando iluminar os teus recantos.
É nesse arquivo morto que jazo adormecida, esperando ser acordada por alguns dedos macios – sob a forma de monstro, princesa, átomo ou galáxia.
Só varia o tempo
o sono
o estado
a luz disponível
o volume de páginas que me antecedem ou sucedem
o ritmo em que desfolham o livro (os livros?) em que estou inscrita
a ternura com que encaram a minha figura animal dentro da tua imensidão
a forma como me deixas perder em ti, no teu labirinto com saída de emergência imperceptível
Queria encerrar-te, não apresentas condições de segurança
... ou então deixa-me sentar ao colo dessa insegurança tão meiga
Nem tens as dimensões convencionais que permitam catalogar-te tal como às obras que te constituem
... mas deixa-me continuar a desfolhar-te
Nem os teus corredores têm luz suficiente
... mas queria voltar a percorrer esse labirinto, perdendo-me voluntariamente no frio das tuas estantes
Li nos teus manuais e aprendi a desconstituir-me. Já não sou o eu que aí entrou.
Por isso vivo para aprender a não ler, nem ver, nem cheirar, nem ouvir, nem tactear. Para não te reconhecer mais que o palco onde se encena a minha antítese.
Racionalmente designo:
quero viver a sentir.
Sem te tentar possuir
segunda-feira, novembro 07, 2005
há por aí restícios
e esquecemo-nos de nos sentir
o vento deambula pelos teus cabelos
mal lhe tocas
mal me tocas
mal me quer
mal te quer
mas qual mal
qual desventura
qual ciclo interrompido pelas tranças da amargura
há por aí restícios
num fosso de lenha
lenha húmida
arde incandescentemente uma palavra tua
que agora somos palavras
e ao queimar faz muito fumo
muito
muito
até arder os olhos
só por isso choro.
há por aí restícios
no lampião partido
as cinzas baloiçam
ao colo da teia daquela aranha que fugiu dali
e sinto aquele prurido
comichão desconfortável
uma voz aos berros inaudíveis a dizer
“fugi”
foste com a aranha
e eu continuo aqui
há por aí restícios
subsiste aquela raiva
de não ter pernas para acompanhar os teus passos
perdemo-nos nos restos que nunca fomos
crentes num mundo que não conseguimos criar
ocorre-nos correr
gritar
gemer
morder
arranhar
ensurdecer
perder
louvar
derreter
mas por nada nos lembramos da pergunta,
aquela a que queríamos responder
quando demos a mão e partimos pelo tempo
vejo a marca dos teus passos
mas não sei para onde foste
há por aí restícios
pico-me numa rosa seca
o pico de tão seco não infecta
só arranha
arde sem doer demais
não é como a aranha que fugiu
e sou acusada de crime capital
por metáfora constante
em mim não há recurso à complexidade do objectivo
a polícia persegue-me
tentam sufocar-me os sonhos
forças repressoras do poder dominante
sem aparente mal
tiram-me a almofada
e a arma
arrancam desumanamente o imaginário
que injecto abusivamente nas veias
apelidam-me de contrabandista
ilegal
a sorrir, em estado tóxico
fora da lei do mercado
tento amar
há por aí restícios
feitos pólvora nas mãos do poder.
sofrer é censurado
voar é censurado
amar é censurado
há por aí restícios
e ao vê-los dou por mim a beijar a tua imagem
a mesma em que adormeci, bem enroscada
na qual não havia noite fria ou ladrões maus
vou com o vento
em lugar das cinzas
e tento ser censurada ao nível máximo.
é para isso que prevaleço
só por isso não padeço
mergulho nos restícios
e atiro-me dos precipícios
até que a censura me engula.
há por aí restícios
com o vento
a minha mão trémula
o meu corpo sonolento.
até que a censura me engula
segunda-feira, outubro 31, 2005
apelando à paz

a paz voa e pousa, é livre *
EU ESCOLHI A PAZ ! MY CHOICE IS PEACE ALL OVER THE WORLD!
PAZ -PEACE - PACO- PACE- PAIX- SHALOM- SALAAM- SHANTY- - 평화 - Мир - 平和 - Ειρήνη - 和平 -SELAM VREDE- PAKE - HETEP- RAHU - ASHTE - IRINI - HEIWA - SULH - MIR
PHYONGH'WA - EMIREMBE - PACI - FRED - SULA - POKOJ - PASCH - MIERS- UKUTHULA
CopY/Paste and put in your site/blog.Thank You.
quarta-feira, outubro 19, 2005
pauta quebrada
Aquele velho ritual de prender um bocadinho de vento na mão
aquele vento que não se prende
que passa entre as folhas
e nos toca docemente
doce frio
Aquele doce quente de olhar o céu
aquele céu com nuvens
e das nuvens fazer cavalos
peixinhos que se beijam no mar azul celeste
bonecos que perdem as pernas pelo caminho
mas que voam
e vão abraçar-se aos bichinhos fofos
imperceptíveis aos olhares frios
Ode à liberdade de visão
hino ao poder de criação
Sermos deusæs
não para dirigir orquestras
mas para inventar novas figuras musicais
Vaguear pelo imenso
na vaga incerteza das coisas dadas
e com aquela infantilidade reprimida
soltar gargalhadas, fazer cócegas,
tocar o limiar da loucura
Deixar formas, criar laços
com o vasto aroma da liberdade
pintar sonhos
doá-los aos cantos do infinito
Cantar povos e lendas e amores
e recolher a apara do lápis
para que outr@s se enamorem
e se beijem
e nos cantem outros povos e lendas e amores
Sorrir com doçura de criança
ou amar sem pretensão de resposta
ou correr pelos campos brancos de pombas brancas
Imitar uma abelha
uma margarida
um pôr-do-sol
Ronronar num colo fofo
fazer cafuné à lua
tomá-la na ponta dos dedos e jogar berlinde
E aí abandonamos o medo.
O segredo é molhar os olhos
para que jamais percam o seu brilho
e acender o rastilho do sol
para que nos sirva de cobertor.
O resto é amor.
domingo, outubro 16, 2005
um reflexo do que me fazes ser

um reflexo do que sou
Há momentos em que não entendemos o silêncio. Temos esse direito. Aqueles pequenos sons que nos passam entre os dedos vão fluindo melancolicamente através do tempo. Não são cães, nem carros, nem vozes, nem folhas de árvores – basicamente porque não nos apercebemos, porque focamos a objectiva para o não-ser que existe no meio de tudo.
Depois lembramo-nos do nada e até nos apetece viver lá. Porque no nada flutuamos como os sons, não há corpo que se nos sobreponha, não há ilusão que nos fira ou espírito que nos corrompa. Somos, simplesmente.
Mas o nada parece tão vazio, tão desprovido de tudo… De que adianta alhearmo-nos na sombra da noite, debruçad@s na janela do quarto, a ouvir o vento passar? Não nos alimenta, nem nos faz sentir vivos ou úteis… E o tempo flui, ao seu ritmo, sem nos tomar por notas ou pausas musicais.
Há tanta raiva subjacente à calma que aparentamos… “tanto que dizer… e tanto silêncio…”
Queres que te conte uma história? Que te ponha um “Era uma vez…” a meio do discurso, mesmo sabendo nós que esses vastos mundos hipotéticos ou condicionais ainda nos vão doer mais que a visão do vazio?...
Não te deixo. Seria demasiado fácil e contundente para as expectativas do mundo.
“Amar es el empieze de la palabra AMARGURA”
… e sinto tanta raiva… daquelas que estão entranhadas na pele e na língua, e na retina dos olhos, e no sal das lágrimas. Daquelas que escondo, camuflada por sorrisos conscientes do seu fundo impróprio. Como se fosse um beijo interrompido por um abrupto silêncio, incomodativo, com mau sabor, de uma agressividade latente sem escrúpulos ou limites…
Mas é assim que te amo. Sem escrúpulos ou limites, de forma interrompida, silenciosa, incomodativa, agressiva e com o sabor mais agreste de que a natureza me poderia cobrir.
Tens o espaço e o tempo, não tos roubo. Volto ao vazio, à amargura solitária de quem ama mas não te sente, te procura e te encontra longe.
O teu corpo tem a forma de outros braços, não dos meus. O meu corpo é permanentemente amorfo, qual estabilidade aparente…
O sol foi-se embora. Vai nanar, meu amor… Cobre-te de lua e de estrelas, noite dentro. Fico de longe a cantar-te o silêncio, a dor cobre-me e tira-me o frio, a raiva aquece-me as mãos. Caminharei até os pés aquecerem, sangrados, à procura da tua imagem algures no sono.
Estou demasiado nua, desculpa-me a ousadia… Não quero que me toques, seria ultrajante. As palavras escorrem pelo meu corpo como gotículas de suor, e permaneço fria. Os sonhos palpitam a uma velocidade estonteante, fazendo com que o meu peito não caiba nas suas próprias dimensões. Os braços alongam-se e vão estreitando até deixarem que os dedos toquem o nada, paralelos às contracurvas do meu corpo… Pés pequenos, doridos, em ferida. Pernas flácidas, curtas demais para a distância que nos separa.
Que corpo insuficiente para ocupar o teu espaço…
Mas esta sou eu, nua e crua, alojada no vazio dos olhos por que passamos.
Dou-te os meus olhos, têm palavras mais puras que os meus dedos.
… Não os queres ver? Pena…
Mas deixa lá, não faz mal. Conformei-me na melancolia das coisas simples, das músicas feitas, das palavras previsíveis, dos olhos fechados.
Vamos dançar, o mundo é nosso e somos pequenin@s! Que a alegria é irmã da melancolia…
Um beijo no meio do sempre*
sábado, outubro 08, 2005
monólogo de uma actriz enquanto se maquilha

Vou fazer o papel de uma bêbeda
Que vende os filhos
Em Paris, no tempo da Comuna.
Tenho apenas cinco réplicas.
E preciso de me deslocar, de subir a rua.
Caminharei como gente livre
Gente que só o álcool
Quis libertar e voltar-me-ei
Como o bêbedo que receia
Ser perseguido. Voltar-me-ei
Para o público.
Analisei as minhas cinco réplicas como os documentos
Que se lavam com ácido para descobrir sob os caracteres visíveis
Outros possíveis caracteres.
Pronunciarei cada réplica
Como a melhor acusação
Contra mim e contra todos os que me olham.
Se eu não reflectisse maquilhar-me-ia simplesmente
Como uma velha beberrona
Doente e decadente.
Mas vou entrar em cena
Como uma bela mulher que guarda a marca da destruição
Na pálida pele outrora macia e agora cheia de rugas
Outrora atraente e agora repelida
Para que ao vê-la cada um se interrogue: quem
Fez isto?
Bertolt Brecht
sexta-feira, setembro 30, 2005
tempo
Estás pres@ no limiar da loucura
os teus olhos tecem pautas
subscritas em leituras imperceptíveis
quais amarguras
quais feitos incríveis
quais caudas
ou braços
ou pernas
quais traços
imperceptíveis como tu.
O passado é uma emboscada
e não há futuro de mão beijada
não há beijo sem golpe
não há melodia sem voz
e o presente...
somos nós.
Houve tempo
há tempo
lembras-te daquele suspiro
e daquele arrepio
E agora, frio
e daqui a pouco, novo arrepio
Ainda não aprendeste a ler
não consegues ouvir o calor
Olha! Uma flor...
tem cor de arco-íris.
Sussurra-te docemente
até te aproximares
sente-a, não a arranques.
Entre vozes estanques,
silêncio dolente
imensidão inatingível
sente o ininteligível...
Dói. Aperta.
Mas ainda há uma flor.
Pres@ no limiar da loucura,
ainda és feit@ de amor.
O passado é uma emboscada
e o presente azeda.
Que queda
do infinito...
Perdidos no imenso,
tão sós,
agora não há tempo...
Somos nós.
quarta-feira, setembro 14, 2005
benvindos à quimera do ogre
algures na travessa de cedofeita foi escrito na parede: "mas que bem laborais para a quimera do ogre!" ...com quanta razão...
eis o meu "pequeno" grito de indignação
Escorrem-me orações pelos braços
quais lágrimas azedas
quais crenças perdidas
em traços, nos meus braços,
labaredas
no fogo da razão, aos pedaços
como que existências irreais, desmedidas
Escorrem-me dos braços ao peito
no peito uma tontura
onde está a ternura?
no peito uma tontura,
um abraço perdido no tempo
toma o ódio como sustento
e suspira, escorrega
manchas vermelhas na vitrine
ecrã gigante da vida
perdida
desmedida
odiada e odiável
corpo ou espírito, nada moldável
Escorrem-me do peito para a cintura
onde está a ternura?
escorrem-me do peito para a cintura
em curvas e contracurvas quebradas,
acentuadas perseguições
cegas,
visões tristes, desenxabidas
de quem dispensa mais vidas
Sem delongas,
corpo e espírito em tortura
onde está a ternura?
corpo e espírito em tortura
suave tortura
corrosiva
fricativa
tortura mole, prolongada
ser morto servindo de espada
a batalhas ascendidas
corrosivas, fricativas
batalhas em nome código
só ódio
só ódio
batalhas em nome código
guerras sem nome próprio
olhos escondidos nas sombras
nos escombros
um grito abafado
sufocado por um pano podre
benvindos à quimera do ogre
dor sem fundo,
sem luta.
E uma nota solta, perdida
desmedida
adorável
incomensurável
te procura
onde está a ternura?
te procura
no mercado, na praça,
no convento das orações,
no campo, no rio,
no mar, na floresta,
na rua, na giesta
soa uma sirene
convulsões
tudo corre até ao pódio
só ódio
só ódio
tudo corre até ao pódio
onde jaz a alma, a tua vida
incumprida
desmedida
perdida
os teus olhos aí perdidos
brancos, deslavados
testemunhas coniventes
da tua destruição
não não
não não
e eu amo-te tanto…
amo a tua candura
onde está a ternura?
amo a tua candura
és branco de morto
branco de vazio
morto vazio e nada
só corpo
mais nada
grita, chora,
és espada
de uma batalha ascendida
perdida
desmedida
batalha errante contra a vida
exército de mortos operantes
corpos errantes
todos no pódio
só ódio
só ódio
belos de candura
onde está a ternura?
a vida a fugir-nos da mão
não não
não não
NÃO!
Amo-te com amor… não com ódio
desce comigo do pódio
vem para o chão ser humano
dá-me calor
dou-te ternura
doçura
amor
terça-feira, agosto 23, 2005
... e depois?...
há espaços que concentram tanta vida que, depois, fico sem saber onde viver. (ou então ainda não me habituei bem à ideia de ser nómada)
sem dúvida que este foi um deles, no qual vivi com pessoas tão lindas e que me tocaram tanto que agora ando perdida por não as ter aqui ao pé de mim, no gozo ou com mimos ou em partilha de mau estar ou seja como for. XUNGA distância, mas imprescindível para o valor que adquirem estes campos e toda a dinâmica que nos proporcionam.
adoro-vos, minhas baratinhas voadoras! :)
continuem a voar cada vez mais alto, mas não fujam, por favor...

... and it's never all, folks! ;) * * *



