segunda-feira, novembro 22, 2010

Talvez esteja em dia de ser ingrata...

... mas será que quem, do seu bom público, reivindica esta greve de tamanha proporção - 24 de Novembro - tem noção de que não serão os maravilhosos políticos a procurar uma maneira qualquer de inventar transporte para ir trabalhar? Esses têm transporte particular, pá. Com chauffer. Nem todos podem "grevar", já se aperceberam? Eu posso, mas também ninguém nota, porque sou das poucas sortudas sem horário fixo. Mas nem todos podem. Há quem tenha de inventar a porra do mundo para o conseguir. E será que os amigos grevistas apanham esta parte? So sorry, enquanto tivermos (entre outros) serviços de transporte colectivo sem concorrência, isto vai de mal a pior - não é só na greve, é em muitas coisas. Custa perceber como é que o povo se mexe na 4ªfeira. Nem serviços mínimos no Metro. Hora de ponta nos comboios é tudo o que existe. Poluam, que faz bem. Não têm carro? Tivessem!

Estou em dia de pouca compreensão, confesso. Costumo ser solidária nestes dias, mas no próximo não vou ser. E paciência para o facto de a bolsa de investigação por tabela FCT, tal como a que recebo, não ser actualizada há 10 anos, ou lá quantos anos forem. E paciência por não ter estabilidade contratual e nem me ser possível pedir um empréstimo. E etc. Porque diz-me a antiga convivência que somos todos muito precários e inflexíveis, sobretudo quando podemos ficar na cama a dormir até às 16h.

Damn. Que mau humor, este que afecta a portuense em Lisboa. Que mau humor, este que chega quando nos apercebemos que a vida não é mesmo cor-de-rosa e que o activismo foi/é só uma parte, não enche o prato. E etc. Que mau humor, este de nos apercebermos de que a vida não é só a parte do sonho, e que a nossa utopia tem limites hiper-tangíveis.

A mim, magoa. E não digo estas palavras da boca para fora. Nada disso.

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Nota - como convém nas críticas, deixo uma alternativa. Façam greve, claro que sim - toda a gente pode entrar nos transportes colectivos e nem uma pessoa pode pagar bilhete. Alguma acção poderia ter mais impacto (económico, entre outros) junto dos hiper-coisos patrões?


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5 comentários:

claudino disse...

*-Plagiando e adaptando Paulo de Carvalho, direi -24 anos é muito tempo!. Pois, pois...
Beijos dos
Cotas dos Cotas

carmen disse...

a verdade ainda que doa

:)

yolanda disse...

Sim. para já, um dia de greve não resolve propriamente as coisas. e é verdade que a greve vai prejudicar muita gente, principalemnte aqueles que não podem faze-la. Eu normalmente não sou de levantar punho e quem me conhece sabe que de esquerdista nao tenho nada. Mas apercebi-me que de direita também já não. e normalmente as greves soam-me sempre a um pretexto para alguma coisa mais que não seja propriamente o de lutar por algo. Neste momento concordo que o país pare. e tenho pena de não ser um direito para alguns. Eu não benefi cio ou perco propriamente nada com esta greve, directamente. na verdade as condições de trabalho para a minha profissão nem são tema de conversa. Mas estou solidária com as condições do país, com as minhas enquanto cidadã desta novela. é importante algum dia pararmos todos e fazer uma "birra" . Porque é a isso que me soa. de repente vamos todos fazer uma grande birra neste país. Alguns por motivos estranhos ou errados, outros sem saber muito bem como, outros por solidariedade, outros porque estão na merda. Eu por um pouco de todos os motivos. Fazer uma birra ás vezes é preciso. porque não?
Lamento aqueles que não vão ter transporte para trabalhar, mas lamento mais ainda receber 500 euros de ordenado, trabalhar 10 horas por dia e desse dinheiro pagar 200 á segurança social. Lamento não ter conbtratos e demorarem-me (de lei) 3 meses a pagar maior parte dos meus trabalhos. não ter subsídios, nao poder ficar doente e não ter férias que não se chamem desemprego. lamento os despedimentos, o aumento dos impostos e ver pessoas a contar moedas no super para comprar leite. Lamento ouvir "não posso comprar uma cartolina porqwue o meu pai ainda não recebeu" na escola todos os dias, lamento ver os miudos toarem um lanche como unica refeição do seu dia, miudos esses cujos pais trabalham em 3 sitios diferentes e a unica prenda de anos que lhes podem dar é um casaco. lamento tudo isso.. só não lamento fazer uma grande birra geral amanha, porque enquanto tudo isto se passa, andamos preocupados em oferecer prendas ao cão do obama.

beijokas (dia 27 espero por voces, nao vos posso oferecer bilhete porque trabalho á bilheteira. é esta a realidade dos actores em Portugal)

rebelonya disse...

:) obrigada pelos feedback!

apesar de estar a ficar "velhinha" e de andar a encarar umas verdades diferentes (diria o cromito do Al Gore, inconvenientes), um esclarecimento à Yolanda:

já participei em várias greves e considero que tal direito é imprescindível e incontornável. o que me custa é ver, cada vez mais, que se protesta contra o desgraçado que sofre tanto como nós (pergunta ao D. que filmes ele tem tido esta semana para conseguir lidar com o dia de hoje - e ele sofre de todas as coisas que descreveste, mais a impossibilidade de fazer greve; caso fizesse, era dispensado de vir a fazer contrato, porque esse também ainda não existe)

e, para culminar, quem possa estar em Lx ou chegar lá de carro, tem uma festa à sua espera. custa-me, acredita que sim. custa-me que muitos suem as estopinhas e que muitos (outros ou, por vezes, os mesmos; dos meus contactos, a maioria), por nem terem muito a perder com o assunto, poderem ir beber uns copos para o Camões em dia de greve.

nós podemos - e devemos, na minha perspectiva - reivindicar melhores condições de vida e de trabalho. mas há que dirigir a mensagem a quem de direito. há que prejudicar os que devem sentir essa perda, não os outros. a paralisação não consegue ser total, é "quase"; e os "quase" prejudicam sempre quem não deve sofrer isso na pele, porque também sofre tudo o resto.

nota: vou daqui a pouquito ao Olga comprar os bilhetes, não te preocupes! antes pudéssemos ajudar mais, linda :) fico cá no fim-de-semana, conta com nozes os dois*

yolanda disse...

mas não posso concordar mais ctg. greve greve é abrir as portas do comboio e do metro de bOrla. isso... sim, era um buraco. e de facto uma chapadinha em muita gente.e ng se prejudicava. e A greve que mais lixa este país, ainda é a daqueles de que ninguém se lembra. Do lixo.