quinta-feira, dezembro 16, 2004

os meus olhos estão entreabertos para que me possas ver tanto acordada como a sonhar

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já é tarde, estou na cama, quentinha, à excepção dos pés, que estão frios - à espera de uma caminhada, possivelmente. quem sabe, à espera de um passeio contigo...

como se te passasse a mão pela cara, tocando os teus olhos e vendo o que tu vês por um segundo, dou uma festa ao ar. ele sorri, encolhe-se ao meu colo e abraça-me. dá-me um beijo com ternura, não sei bem onde, e corre por mim feito arrepio, sangue e pele.

ascende, trepando às mágoas. mima-as e desinfecta algumas feridas, acalmando a dor. pega na minha inconsciência e sopra-lhe vida, e murmura nos meus ouvidos: "amor"...

no meu peito, acaricia a imagem que guardo da meiguice. empurra-me, confunde-me, rodeia-me, balança-me, com força e mais força!... até que caio ao chão, tonta, perdida num sonho. não sei qual, não me lembro...

aí perdida e caída me deixa, entregue ao calor húmido da terra. afundo-me, em direcção a muito abaixo, onde não se respira por se sonhar tanto.



e depois ouço

não é necessário estar-se vivo para se sonhar, mas é necessário sonhar-se para viver

Um comentário:

The Crow disse...

Realmente sem sonhos não vivemos, tornamo-nos pessoas pateticas, cinzentas, vazias, conformadas...
Continua a sonhas mesmo que pareça um sonho um impossivel, talvez um dia se torne realidade...